O vereador também questionou a questão da jornada de trabalho dos médicos que são concursados
Por : Portal Publicitário Ms / Tiago Pires

Na sessão ordinária desta segunda-feira (17), o vereador Celso Capovilla (PL) utilizou a tribuna para relatar uma situação frustrante que viveu ao buscar atendimento médico para sua filha no Pronto Atendimento Médico (PAM). O parlamentar, que esteve na unidade na condição de cidadão comum, destacou a longa espera e as restrições impostas por uma médica pediatra do local.
Capovilla afirmou que, apesar do atendimento cordial da profissional — concursada no município com carga horária de 20 horas semanais —, precisou aguardar por cerca de quatro horas até que sua filha fosse atendida.
Limitação de atendimentos gera indignação
O vereador denunciou que a pediatra realiza atendimentos apenas duas vezes por semana e, por decisão própria, estabelece um limite de 13 consultas pela manhã e 13 à tarde, desconsiderando a real demanda da unidade. “Se ela trabalha por carga horária, como pode limitar o número de atendimentos?”, questionou Capovilla.
Durante seu discurso, o parlamentar trouxe à tona um dado preocupante: no mesmo dia em que esteve no PAM, nove mães com crianças foram dispensadas por já ter sido atingido o limite de atendimentos da pediatra. “Essas mães voltaram para casa sem assistência, sem respostas e sem o mínimo de dignidade que o serviço de saúde deveria oferecer. Ao questionar uma servidora, ouvi que essa situação é considerada normal. Isso é justo?”, desabafou.
Problemas recorrentes e justificativas questionáveis
Outro ponto levantado foi a justificativa da unidade para a demora no atendimento, que teria ocorrido devido a uma “falha no sistema”. No entanto, Capovilla destacou que esse problema parece acontecer frequentemente quando a mesma médica está de plantão. “Os relatos apontam que essa situação não é um caso isolado, mas algo constante”, afirmou.
Concorrência com o setor privado e descumprimento de carga horária
O vereador também questionou a dedicação de médicos concursados que possuem carga horária de 40 horas semanais e, simultaneamente, atuam em clínicas privadas e empresas particulares. “Como é possível conciliar tantas atividades? Será que a carga horária que pagamos está realmente sendo cumprida?”, indagou Capovilla.
Diretrizes de saúde e ética profissional
Para fundamentar sua denúncia, Capovilla mencionou normas estabelecidas por órgãos reguladores da saúde:
O Código de Ética Médica assegura que o atendimento deve ser digno e sem negligência.
O Ministério da Saúde recomenda um tempo médio de 15 a 20 minutos por consulta, mas sem impor limites arbitrários de pacientes.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) determina que médicos não podem recusar atendimento durante sua jornada de trabalho.
Capovilla enfatizou que os profissionais da saúde devem cumprir integralmente sua carga horária, sem impor restrições de atendimentos que prejudiquem a população.
Fiscalização e compromisso com a população
Ao concluir sua fala, o vereador reforçou o compromisso de fiscalizar a produtividade dos médicos concursados e garantir que a população receba atendimento de qualidade. “Vou cobrar providências! A população merece respeito, dignidade e um serviço de saúde eficiente”, finalizou.
