Por : Redação Jornal Ms Agora / Tiago Pires

No mesmo fim de semana em que a população enfrentava longas filas e superlotação nas unidades de saúde da capital, o Governo de Mato Grosso do Sul desembolsou R$ 450 mil para o show da cantora Luísa Sonza, realizado no Parque das Nações Indígenas, dentro do projeto “MS ao Vivo”.
A apresentação aconteceu no sábado (4) com entrada gratuita, reunindo milhares de pessoas. Apesar do sucesso de público, o valor pago à artista — divulgado em publicação oficial e confirmado pelo jornal Correio do Estado — reacendeu o debate sobre a prioridade do uso de recursos públicos em tempos de crise.
UTIs em colapso
Segundo dados recentes da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau), a taxa de ocupação de leitos de UTI na capital está acima de 95%. Pacientes com quadros graves esperam dias por vagas, enquanto profissionais da saúde denunciam falta de estrutura e sobrecarga nas UPAs e hospitais públicos.
“É revoltante ver esse tipo de gasto enquanto a gente está perdendo pacientes por falta de leito”, afirmou uma enfermeira do Hospital Regional, que preferiu não se identificar. “Nós estamos no limite”.
Orçamento “carimbado”, mas questionado
O governo estadual defende que os recursos para o projeto “MS ao Vivo” vêm de orçamento específico da área da cultura, que não pode ser redirecionado para a saúde. No entanto, especialistas em gestão pública afirmam que é possível fazer suplementações emergenciais por meio de alterações orçamentárias com aprovação da Assembleia Legislativa.
Cultura ou emergência?
A proposta do projeto cultural é democratizar o acesso a grandes shows e movimentar o setor de eventos, duramente atingido durante a pandemia. Mas o momento atual gera questionamentos: até que ponto o entretenimento pode ser prioridade diante de uma crise de saúde que atinge diretamente a população?
“Valorizar a cultura é essencial, mas o cidadão precisa de atendimento médico, de leito, de dignidade. É preciso equilíbrio”, opinou o sociólogo Marcos Gimenes.
Sem resposta oficial
A reportagem do Jornal MS Agora entrou em contato com a Secretaria de Saúde e com a Fundação de Cultura do Estado, mas até o fechamento desta matéria não obteve retorno.
Enquanto isso, moradores continuam divididos: entre a alegria do espetáculo gratuito e a frustração por um sistema de saúde que, mais uma vez, parece ter ficado em segundo plano.












