Homem de 39 anos perdeu a vida ao colidir com portão de empresa após passar por quebra-molas sem pintura na Avenida Coronel Ponciano
POR: Jornal Ms Agora / Tiago Pires

Um grave acidente registrado na madrugada desta segunda-feira (2) escancarou falhas na sinalização viária de Dourados e resultou na morte de um motociclista de 39 anos Renato Gonçalves Verão ele perdeu o controle da moto ao passar por um quebra-molas recém-instalado e ainda sem pintura sinalizadora, colidindo violentamente contra o portão de uma empresa e, na sequência, contra uma mureta.
O acidente ocorreu por volta das 3h30 da manhã, na Avenida Coronel Ponciano – uma das principais vias de tráfego da cidade. Câmeras de segurança registraram o momento em que o motociclista trafegava em velocidade aparentemente compatível com a via, mas foi surpreendido pelo redutor de velocidade não sinalizado, instalado como parte de uma obra de readequação viária conduzida pelo Governo do Estado.
O corpo foi localizado apenas no início da manhã, por funcionários da empresa atingida. O impacto foi tão severo que a vítima morreu no local, sem chance de receber atendimento médico.
Sinalização precária e responsabilização
A obra de duplicação da Coronel Ponciano inclui a instalação de novos redutores de velocidade, mas a falta de sinalização horizontal no local – especialmente a pintura de faixas amarelas alertando sobre o obstáculo – levanta questionamentos sobre a responsabilidade do poder público no acidente.
Em nota à imprensa, o diretor-presidente da Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), Juscelino Cabral, afirmou que a sinalização vertical – por meio de placas – já havia sido instalada há cerca de 20 dias, e que o quebra-molas foi implantado na semana anterior. A pintura, segundo ele, estava programada para esta segunda-feira (2), poucas horas após o acidente.
Cabral reconheceu que a ausência da faixa amarela indicativa no redutor era uma preocupação já identificada por técnicos da agência, e informou que cones haviam sido colocados no local no fim de semana como medida provisória. “Infelizmente, mais uma vida foi ceifada. É uma tragédia que lamentamos profundamente”, declarou.
A avenida, de acordo com a sinalização vigente, tem limite de velocidade de 40 km/h, mas, segundo a Agetran, muitos condutores trafegam acima do permitido, ignorando os alertas visuais. Ainda assim, especialistas em segurança viária apontam que a simples existência de placas não substitui a obrigatoriedade de sinalização horizontal visível, principalmente em trechos recém-alterados.
Investigação e apuração de responsabilidades
O caso está sob investigação da Polícia Civil. Peritos da Polícia Científica estiveram no local e coletaram imagens, depoimentos e informações técnicas para apurar se houve omissão por parte das autoridades responsáveis pela obra e sinalização da via.
A Prefeitura de Dourados e o Governo do Estado ainda não se pronunciaram oficialmente sobre possíveis medidas corretivas ou responsabilidades administrativas.
Enquanto isso, o episódio reacende o debate sobre a segurança no trânsito e a responsabilidade do poder público em garantir que intervenções urbanas sejam executadas com o devido cuidado técnico, especialmente quando impactam diretamente a vida dos cidadãos.
