Especialista explica que não há registros de sucuris atacando seres humanos; caso segue sendo investigado pela Polícia Civil
Por: Jornal Ms Agora

O corpo de um homem que havia desaparecido enquanto pescava com colegas no último fim de semana foi encontrado em uma represa nos fundos de uma fazenda, localizada entre Campo Grande e Nova Alvorada do Sul. Após o desaparecimento, áudios passaram a circular em grupos de WhatsApp, afirmando que a vítima teria sido atacada e levada por uma sucuri.
A informação rapidamente causou espanto, curiosidade e até pânico na região. No entanto, até o momento, não há qualquer confirmação oficial de que o homem tenha sido vítima de um ataque de animal. A Polícia Civil, por meio da 4ª Delegacia de Campo Grande, investiga o caso, mas as circunstâncias da morte e a identidade da vítima não foram divulgadas.
Para esclarecer os rumores, a doutora em ecologia e pesquisadora de sucuris de vida livre desde 2014, Juliana de Souza Terra, explicou que não existem registros científicos de sucuris atacando e matando seres humanos adultos.
“Essas serpentes são predadoras de emboscada. Elas ficam às margens de rios ou represas, aguardando a aproximação de presas como aves aquáticas, que compõem cerca de 50% da dieta, além de mamíferos de médio porte, como capivaras e porcos selvagens. Quando atacam, se enrolam na presa para causar parada cardiorrespiratória e, no mesmo local, fazem a ingestão. Elas não têm comportamento de carregar ou arrastar presas por longas distâncias”, esclarece.
A pesquisadora ressalta que casos como esse acabam alimentando mitos que cercam a espécie e prejudicam os esforços de conservação. “Se isso realmente tivesse acontecido, seria algo absolutamente atípico, fora dos padrões e inédito. É importante ter cautela antes de propagar informações não confirmadas”, alertou.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que apura as reais causas da morte.
Fonte: Redação Jornal Alerta Dourados
