Psicóloga explica como identificar primeiros sinais de comportamento nas vítimas
Fonte: Valéria Araújo/Alô Mídia/Dourados

Dados da Secretaria de Justiça e Segurança Pública de Mato Grosso do Sul (Sejusp) revelam um cenário alarmante da violência sexual em Dourados, a maior cidade do interior do estado de Mato Grosso do Sul. De janeiro até o momento, 89 casos de estupro foram registrados na cidade, sendo que a maioria das vítimas são crianças e adolescentes.
Conforme o levantamento, 84 vítimas são do sexo feminino e oito do sexo masculino. Os números mostram que 39 vítimas são adolescentes, enquanto 37 são crianças, o que representa mais de 85% dos casos envolvendo pessoas menores de 18 anos. Além disso, dez vítimas foram classificadas como jovens, seis como adultas e, em três ocorrências, as idades não foram informadas.
O mês mais crítico até agora foi maio, com 23 casos registrados, indicando um possível pico de violência sexual em um curto intervalo de tempo.
Panorama estadual
A realidade se repete — e em proporções ainda maiores — no estado de Mato Grosso do Sul. Segundo a Sejusp, já foram registrados 937 casos de estupro em 2025. Entre as vítimas, 870 são do sexo feminino e 109 do sexo masculino.
Deste total, 442 vítimas são crianças e 364 são adolescentes, evidenciando que a infância tem sido o principal alvo desses crimes hediondos em todo o estado.
Subnotificação e desafios
Especialistas e autoridades apontam que os números reais podem ser ainda maiores, devido à subnotificação dos casos. Medo, vergonha, dependência econômica e afetiva em relação ao agressor e até mesmo falta de acesso aos serviços de denúncia são alguns dos fatores que impedem muitas vítimas de buscar ajuda.
Organizações que atuam no enfrentamento à violência sexual reforçam a importância da denúncia. Casos de estupro podem ser comunicados diretamente à polícia ou ao Disque 100, de forma anônima.
Mobilização urgente
O aumento nos registros em Dourados e no estado como um todo acende um alerta para a necessidade urgente de políticas públicas de prevenção, educação e acolhimento às vítimas.
A presença de crianças e adolescentes entre as principais vítimas reforça o papel fundamental da escola, da família e da comunidade na identificação precoce de sinais de abuso.
Mudanças de comportamento podem ser sinal de abuso
Pais e responsáveis devem estar atentos a sinais silenciosos que podem indicar que crianças e adolescentes estão sendo vítimas de abuso sexual, conforme explica a psicóloga Natalia Campos. “Em muitos casos, as vítimas não conseguem verbalizar o abuso por medo, vergonha ou por não entenderem o que está acontecendo. Por isso, é fundamental que pais, responsáveis e educadores estejam atentos a sinais que podem indicar que algo está errado”.
Entre os sinais de alerta mais comuns, de acordo com a profissional, estão: Mudanças bruscas de comportamento (como isolamento, agressividade, tristeza excessiva); medo de estar com determinados adultos; dificuldade para dormir, pesadelos frequentes ou enurese noturna (xixi na cama); dificuldades escolares repentinas;desenhos com conotação sexual ou falas que não condizem com a idade; e queixas físicas, como dor na região genital, infecções urinárias frequentes ou dores sem causa aparente.
É importante também observar se a criança demonstra conhecimento sexual incompatível com sua idade, ou se apresenta comportamentos sexualizados precocemente.
“Se houver qualquer suspeita, é essencial acolher a criança com escuta e sem julgamentos, e buscar ajuda especializada, seja por meio de psicólogos, conselhos tutelares ou órgãos competentes. Quanto mais cedo a intervenção, maiores as chances de cuidado e proteção dessa criança ou adolescente”, reforça a psicóloga.

