Preso em operação do Gecoc, secretário de Corumbá suspeito de corrupção pede demissão

Nilson dos Santos Pedroso é investigado por esquema de fraude a licitações na prefeitura de Itaporã

Por: Adriel Mattos

Nilson dos Santos Pedroso atuou em Itaporã antes de se tornar secretário em Corumbá. (Foto: Reprodução, Redes Sociais)

O secretário municipal de Governo e Gestão Estratégica de Corumbá, Nilson dos Santos Pedroso, pediu demissão do cargo na quinta-feira (23). Ele foi preso ontem na Operação Fake Cloud, do Gecoc/MPMS.

A exoneração, a pedido, foi publicada no Diocorumbá (Diário Oficial do Município de Corumbá). Pedroso foi superintendente de compras em Itaporã, foco da ação do Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), do MPMS (Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul).

Em nota, a prefeitura de Corumbá informou que, apesar de os fatos investigados não terem ocorrido no município, acompanha o desenrolar dos acontecimentos, “observando a lei e a presunção de inocência“.

Informou, também, que “outras informações serão prestadas caso haja necessidade, quando houver desdobramentos oficiais do processo. A atual gestão reafirma seu compromisso com a legalidade, transparência e com a moralidade administrativa, não pactuando com qualquer desvio de conduta, abuso ou irregularidade no âmbito do serviço público municipal”.

Operação contra fraude a licitações para backup de dados em Itaporã

O Gecoc/MPMS, com apoio do Gaeco (Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado), cumpriu três mandados de prisão preventiva e seis mandados de busca e apreensão em Itaporã — cidade da região sul do Estado —, Campo Grande e Corumbá.

O secretário municipal de Governo e Gestão Estratégica de Corumbá, Nilson dos Santos Pedroso; o empresário George Willian de Oliveira, proprietário da Citiz Tecnologia (CNPJ 21.134.038/0001-27) e uma terceira pessoa foram alvos da operação.

A investigação identificou um grupo que atuava fraudando, sistematicamente, processos de contratações públicas por dispensa de licitação, voltados ao fornecimento de licença de sistemas de backup de dados em armazenamento em nuvem para a prefeitura de Itaporã desde 2022.

Após negociações ilícitas dos empresários com agentes públicos, diversas licitações foram simuladas e direcionadas para beneficiar uma determinada empresa, por meio de propostas fictícias e exigências técnicas para impedir que outras empresas pudessem disputar.

Os servidores forneciam informações privilegiadas aos empresários, para poder operacionalizar a fraude, e em troca recebiam vantagens indevidas. O grupo é investigado por organização criminosa, fraude em contratações públicas, corrupção ativa e passiva.

“Fake Cloud”, termo que dá nome à operação, traduz-se da língua inglesa como “nuvem falsa”, e faz alusão aos objetos dos contratos, o backup de dados em armazenamento em nuvem, o que não era fornecido ao ente público.

A prefeitura de Itaporã informou que os fatos apurados pelo Gecoc são referentes à licitação da gestão passada. Confira a nota na íntegra:

“A Prefeitura Municipal de Itaporã esclarece que a operação ‘Fake Cloud’, deflagrada na manhã desta quinta-feira, 23 de outubro de 2025, pelo Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS), refere-se exclusivamente a procedimentos administrativos ocorridos durante a gestão municipal de 2021 a 2024, especificamente vinculados ao Processo Licitatório 183/2022, cuja vigência encerrou-se integralmente no referido período.

A atual administração, sob a gestão do prefeito Tiago Carbonaro desde 1º de janeiro de 2025, não possui qualquer vínculo, envolvimento ou responsabilidade sobre os contratos, atos ou decisões mencionados na investigação. Todos os fatos apurados antecedem completamente o atual mandato e não guardam qualquer relação com a presente gestão.

Desse modo, reafirmando seu compromisso com a transparência, a legalidade e a ética na administração pública, a Prefeitura de Itaporã informa que permanece à disposição e em plena colaboração com os órgãos de controle e investigação, reforçando sua dedicação em conduzir uma gestão responsável, íntegra e voltada exclusivamente ao interesse público”.

Fonte: jornal MidiaMax

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