Um dia após manifestação pelo fim do feminicídio, Campo Grande registra novo crime, até quando?

A filha da vítima presenciou o ocorrido e sofreu ferimentos na mão. (Foto: Pietra Dorneles, Jornal Midiamax)

Na manhã desta segunda-feira, 8 de dezembro, o estado se depara com mais uma manchete difícil de assimilar: Ângela Nayhara Guimarães Gurgel, de 53 anos, foi morta a facadas pelo ex-marido, na região do Taveirópolis, em Campo Grande, a tragédia aconteceu apenas um dia depois da vítima se separar e um dia após a capital se unir em manifestação pedindo o fim do feminicídio.

O crime, que se torna o 38° feminicídio registrado em Mato Grosso do Sul somente em 2025, contrasta de forma trágica com a mobilização ocorrida no domingo, 7 de dezembro, na Praça Ary Coelho. Homens, mulheres e crianças estiveram reunidos para denunciar os altos índices de violência contra mulheres no país. O que era para ser um grito coletivo por mudança terminou engolido, horas depois, por mais uma perda irreparável.

O caso reacende debates urgentes sobre segurança, resposta do Estado e o papel da sociedade, especialmente dos homens, na prevenção desses crimes. A pergunta que se impõe, repetida à exaustão nas ruas e agora nas redes sociais, é direta: estamos desamparadas?

A quem recorrer?

Em Campo Grande, a Deam, Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, é responsável pela investigação e atendimento em casos de violência doméstica e familiar. No dia 3 de dezembro de 2025, uma portaria publicada no Diário Oficial do Estado tornou obrigatória a orientação padronizada às vítimas que buscam ajuda na Polícia Civil. A medida estabelece protocolos claros para registro de ocorrência, solicitação de medidas protetivas de urgência e encaminhamento à rede de apoio, independentemente da existência de um boletim criminal anterior.

Apesar desse avanço formal, a morte de Ângela expõe que o abismo entre a lei e a vida real ainda é profundo. A manifestação de domingo pediu mudança. O crime de segunda mostrou, de forma cruel, que essa mudança é urgente e, que cada dia sem ela pode custar mais uma vida.

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