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Para pecuaristas, especulações sobre a guerra afetam preço do boi

Foto: Divulgação CNA

O presidente da Comissão Nacional de Bovinocultura de Corte da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Cyro Penna, disse que “especulações” a respeito dos efeitos da guerra no Oriente Médio sobre as exportações brasileiras já afetaram o mercado pecuário no país.

“Confirmadas as expectativas positivas para 2026, o mercado do boi gordo subiu 9,1% de janeiro até o início de março, em função da maior concorrência pelo boi gordo, pela boa demanda interna e as exportações aquecidas.

A guerra no Irã e notícias de que o país fecharia o estreito de Ormuz geraram muitas especulações que impactaram o mercado do boi gordo no Brasil”, afirmou Penna. Segundo ele, muitas informações divulgadas são “sem fundamento e com intuito de desestruturar o mercado frente a uma menor oferta de animais e redução nas escalas de abate”.

Na sexta-feira (6/3), no entanto, a cotação do boi gordo se manteve estável na maior parte do país. Houve queda em apenas cinco praças: Três Lagoas (MS), Campo Grande (MS), Dourados (MS), Cuiabá (MT) e sudoeste de Mato Grosso.

Durante a semana, uma entidade do setor relatou um potencial impacto da guerra em até 40% do volume de carne bovina exportada pelo Brasil, o que representa 1 milhão de toneladas e até US$ 6 bilhões. Segundo a entidade, esse é o percentual de carregamentos que passam ou têm como destino os países do Oriente Médio. A CNA contesta o dado.

“O estreito de Ormuz é crítico para energia, mas representa parcela relativamente pequena do fluxo global de contêineres, estimado entre 2% e 3%. Em relação às exportações, a China é nosso maior cliente, representando quase 50% dos embarques, e a rota para lá não tem necessidade de passar por Ormuz, região do conflito”, apontou Penna.

Ele disse também que outros mercados importadores, como Estados Unidos, Chile e México, também não são afetados pelo conflito no Irã e países vizinhos. “O Oriente Médio representou 6,8% da receita e 6,5% do volume exportado pelo Brasil em 2025. Se considerarmos apenas países geograficamente localizados perto do estreito de Ormuz, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, a participação cai para menos de 4%”, acrescentou. “Isso não quer dizer que países vão parar de comprar a carne brasileira e que não haverá redirecionamento das rotas comerciais”, apontou.

Segundo ele, os desdobramentos das guerras e conflitos geram preocupações para todos os setores da economia, mas é necessário ter “cautela nas análises e divulgações de informações que possam causar prejuízos e danos estruturantes para a cadeia da carne bovina, em especial ao produtor rural”.

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