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Hospital Regional de Três Lagoas realiza 1ª cirurgia cerebral pelo SUS para tratar Parkinson em MS

Procedimento em execução – Foto: Hospital Regional de Três Lagoas

Um procedimento inédito pelo SUS (Sistema Único de Saúde) em Mato Grosso do Sul marcou um avanço no tratamento de pacientes com doença de Parkinson. Neste mês foi realizada a primeira cirurgia de implante de eletrodos para estimulação cerebral na rede pública estadual. A cirurgia ocorreu no Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, em Três Lagoas (MS), unidade administrada pelo Instituto Acqua em parceria com a SES (Secretaria de Estado da Saúde).

O paciente submetido ao procedimento foi o servidor público aposentado Gilberto Barbieri, de 58 anos, morador de Nova Andradina (MS), município localizado a 260 quilômetros de Três Lagoas. Há cerca de 15 anos ele convive com os sintomas da doença, que começaram com tremores nas mãos e evoluíram para limitações motoras mais severas ao longo do tempo.

A doença

Parkinson é uma enfermidade neurológica crônica, degenerativa e progressiva que afeta os movimentos, causando tremores de repouso, rigidez muscular, lentidão de movimentos e instabilidade postural.

Para Gilberto ela apareceu com um tremor em suas mãos. A preocupação o levou a procurar ajuda médica e, após passar por exames e consultas em hospitais de sua cidade, Campo Grande, Dourados e São Paulo, recebeu o diagnóstico de doença de Parkinson.

Desde então, a rotina mudou significativamente. Atividades simples do dia a dia passaram a exigir mais esforço. “Não tenho mais a vitalidade que tinha antes. Tudo piorou na minha vida com a chegada da doença”, relata.

Há mais de dez anos, ele depende de medicamentos para controlar os sintomas da doença, tomando doses ao longo do dia em intervalos de cerca de três horas. Embora auxiliem no controle do Parkinson, os remédios também provocam efeitos colaterais, como movimentos involuntários constantes. Essa agitação contínua acabou fazendo com que ele perdesse peso.

“Quando o efeito do remédio passa, entro no que os médicos chamam de estado ‘OFF’, quando penso no movimento, mas meu corpo não responde e vou paralisando”, explica.

Para ele, a cirurgia representa a possibilidade de reduzir a quantidade de medicação e recuperar parte da qualidade de vida. “O que eu quero é diminuir os remédios e ter mais controle sobre meu próprio corpo”, afirma.

Como funciona a cirurgia 

O procedimento realizado no hospital é chamado de implante de eletrodo para estimulação cerebral, técnica utilizada em casos específicos e mais graves de Parkinson para ajudar no controle dos sintomas motores.

A cirurgia consiste na implantação de eletrodos em áreas profundas do cérebro responsáveis por modular os circuitos ligados ao controle dos movimentos. Conforme explica o médico neurocirurgião Eduardo Cintra Abib, responsável pelo procedimento, os eletrodos são implantados em uma região chamada núcleo subtalâmico.

“Colocamos um eletrodo de cada lado do cérebro, porque cada hemisfério controla o lado oposto do corpo. Durante a cirurgia o paciente permanece acordado, para podermos testar os movimentos e identificar o ponto exato de estimulação que melhora sintomas como tremor e rigidez”, detalhou.

Após o implante, os eletrodos são conectados a um pequeno dispositivo semelhante a um marca-passo, implantado na região do peito. O aparelho envia impulsos elétricos ao cérebro que ajudam a regular a atividade responsável pelos movimentos.

O neurocirurgião esclarece que nem todos os pacientes com Parkinson podem realizar esse tipo de cirurgia. Existem critérios médicos para a indicação, como ter pelo menos cinco anos de tratamento, já ter utilizado diferentes tipos de medicamentos e estar em um estágio da doença no qual os remédios já não conseguem mais controlar bem os sintomas. Nesses casos, a cirurgia passa a ser uma alternativa de tratamento. Segundo o especialista, a técnica pode reduzir em até 80% a necessidade de medicamentos, além de melhorar significativamente a mobilidade e a qualidade de vida do paciente.

Integraram a equipe principal, além de Eduardo Abib, o neurocirurgião Marco Aurélio Fernandes Teixeira, os anestesistas Ariane Freitas Neves e Walter Chimello Balhester e os profissionais de enfermagem Raisa Carvalho Batista e Felipe Gabriel Rocini Araújo.

Recuperação e acompanhamento

Após o procedimento, realizado no dia 05 de março, Gilberto permaneceu um dia na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e mais dois dias em observação, recebendo alta hospitalar no dia 8 de março. Dentro de duas semanas ele retornará ao hospital para a etapa de programação do dispositivo implantado, quando serão realizados os primeiros ajustes da estimulação.

“O sistema possui vários pontos de contato no eletrodo. A corrente elétrica pode ser direcionada para áreas específicas, de acordo com os sintomas predominantes de cada paciente, como tremor, rigidez ou instabilidade. No retorno vamos avaliar como foi a rotina dele e ajustar o dispositivo conforme a necessidade”, ressaltou Eduardo.

Esperança de uma nova rotina

Para Gilberto, a cirurgia representa a possibilidade de recuperar autonomia e retomar atividades que ficaram mais difíceis nos últimos anos. “Quero poder fazer coisas simples sem ser refém dos remédios, sem tremer ou ficar paralisado. Quero viajar, pescar, visitar minha irmã que mora em uma fazenda em Pontes Lacerda, no Mato Grosso, e pegar meus netos no colo sem medo de derrubá-los”, conta.

A esposa, Elcia Oliveira Umbelino Barbieri, de 56 anos, com quem Gilberto é casado há 36 anos, acompanhou todo o processo e também vê a cirurgia com esperança.

“Hoje sou motorista oficial dele. Hesitamos de sair de casa, dá receio de ir em eventos, festas, porque temos receio de o efeito do remédio acabar e ele congelar ou começar a tremer em público. As pessoas ficam olhando e é uma situação constrangedora, por isso muitas vezes preferimos ficar em casa, em certas ocasiões. Agora temos esperança de que a vida volte a ser mais tranquila”, disse.

Marco para a saúde pública de MS 

Para o diretor técnico do Hospital Regional da Costa Leste Magid Thomé, Marllon Nunes, a realização do procedimento representa um avanço importante para a saúde pública do estado.

“Este procedimento representa um avanço para o SUS em Mato Grosso do Sul. Oferecer uma cirurgia de alta complexidade como a estimulação cerebral profunda demonstra a capacidade técnica do hospital e reforça seu papel como referência regional e estadual em assistência especializada, ampliando o acesso da população a tratamentos inovadores”, destacou.

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