
A FN-SUS (Força Nacional do Sistema Único de Saúde) deve deixar Dourados na sexta-feira, dia 17, segundo carta enviada por conselheiro titular do CMS (Conselho Municipal de Saúde) ao MPF/MS (Ministério Público Federal de Mato Grosso do Sul).
No documento assinado pelo professor Carlos Alberto Vitoratti, que também é membro titular e primeiro secretário do Fórum dos Usuários do SUS de Dourados, ele pontua que a informação foi repassada oficialmente pelo Ministério da saúde.
A preocupação é com a previsão de um pico de contaminação a partir de 15 de maio, repassada pela coordenação da FN-SUS em reunião com entidades na quarta-feira passada, dia 8. “A previsão médica é de que a situação piore, ainda mais”, descreve na carta.
No documento direcionado à procuradoria federal em que classifica a situação como “desesperadora”, justifica o contato “para ver se há como reverter a situação que está posta, visto que não há como aceitar que os acometidos pela Chikungunya, em Dourados, sejam relegados à própria sorte”.
O professor ainda teme o registro de casos mais graves, com a saída dos profissionais. “Caso isto se confirme, tenho certeza que muitos irão morrer e, o que é pior, de forma indigna, porque estarão desassistidos”, finaliza o material.
Outro lado
O Dourados News entrou em contato com o MPF, para saber acerca do recebimento da carta e se será adotada alguma medida pela procuradoria acerca do caso.
De acordo com o procurador Marco Antônio Delfino de Almeida, a decisão da saída da Força Nacional do SUS do município é técnica e deve ser, a princípio, respeitada. “A questão me parece técnica, e eu não tenho como, do ponto de vista jurídico, questionar uma decisão técnica (…). Eu confio no Sistema Único de Saúde, nas decisões que são tomadas e, obviamente, se tecnicamente se avaliou, pelo menos foi essa a informação que obtive das reuniões do COE (Centro de Operações de Emergências em Saúde Pública) de que não haveria mais necessidade da Força Nacional, eu entendo. Agora, se hipoteticamente essa decisão for equivocada, ou seja, se houver uma piora, um descontrole, aí obviamente as providências serão tomadas. Mas, nesse momento, eu vou acatar o diagnóstico técnico”, disse o procurador.
Através da assessoria de comunicação, o Ministério da Saúde reforçou que neste momento a FN-SUS continua no local, confirmou que há um planejamento de desmobilização baseado em um plano após estudos realizados no território. A pasta diz que não há data estabelecida para retirada das equipes, mas que isso deve ser definido até o final da semana. Pontuou também que a saída dos agentes geralmente ocorre de forma gradual.
LIDERANÇAS E HOSPITAL
O Capitão da Aldeia Jaguapiru, Vilmar Machado, disse que seria importante a manutenção da Força Nacional. “Bom seria se [a Força Nacional] ficasse até o final de tudo, porque eles vão embora e como ficamos? Temos nossos postos de saúde, mas fizeram a diferença aqui na comunidade, um bom atendimento”, afirmou.
A Missão Evangélica Caiuá publicou uma Nota de Reconhecimento Institucional nas redes sociais, aos profissionais da Força Nacional do SUS que estiveram presentes nos territórios indígenas e no Hospital Porta da Esperança, administrado pela organização.
“Em um tempo marcado por desafios intensos, agravos pela epidemia de Chikungunya, a presença técnica, humana e comprometida dessas equipes foi fundamental para o fortalecimento da assistência à saúde, aliviando o sofrimento de muitos e contribuindo de forma concreta para preservação de vidas”, descreveu a entidade.
EPIDEMIA
A prefeitura também não se manifestou até o momento sobre a saída da FN-SUS.
Mais cedo o município divulgou que o COE criado para coordenar o enfrentamento à epidemia de Chikungunya, apresentou um Plano de Ação de Incidente que considera o cenário epidemiológico de transmissão sustentada e expansão do agravamento da doença e os impactos na rede de saúde, assim como estratégias para lidar com a situação.
Até o momento, Dourados registrou sete mortes em decorrência da Chikungunya, todas na Reserva Indígena. Outras três estão em investigação.
Fabiane Dorta – Dourados News











