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Pós-parto lidera mortes maternas no Estado mesmo com avanço no pré-natal, aponta boletim

Foto: Divulgação SES

O boletim epidemiológico de Mortalidade Materna, Fetal e Infantil, divulgado pela SES (Secretaria de Estado de Saúde), apontou um dado extremamente preocupante: O período após o parto tem se consolidado como um dos mais críticos para a saúde da mulher em Mato Grosso do Sul.

Esses dados detalham o perfil das vítimas e os principais fatores associados aos óbitos e das quatro macrorregiões formalizadas, apenas a do Pantanal não registrou mortes maternas. Em números absolutos, a macrorregião Sul concentra a maior quantidade de casos, com 10 óbitos. A região abrange municípios como Nova Andradina, Paranhos, Batayporã, Coronel Sapucaia, Dourados, Nova Alvorada do Sul e Japorã.

As macrorregiões Centro, onde está Campo Grande, e Costa Leste aparecem na sequência, com 8 e 3 mortes, respectivamente. No entanto, ao considerar o risco, medido pela Razão de Mortalidade Materna, a Costa Leste lidera, seguida pela Sul.

Mulheres entre 30 e 39 anos estão entre o principal perfil, elas são pardas, com uma ou mais gestações anteriores e submetidas ao parto cesariano. A maioria das mortes ocorreu no período puerperal, fase que sucede o nascimento do bebê.

“Esse perfil evidencia o puerpério como período crítico, indicando a necessidade de fortalecimento da continuidade do cuidado após o parto, com integração entre os níveis de atenção’, destaca o boletim.

Em 2025, foram registrados 21 óbitos maternos no Estado. Desse total, 66% tiveram como causa fatores obstétricos diretos, enquanto 24% decorreram de causas obstétricas indiretas. Outros 10% permaneceram sem causa especificada.

As principais causas identificadas foram complicações hipertensivas e hemorragias obstétricas, responsáveis por parcela significativa das mortes. Entre os fatores indiretos, a tuberculose se destaca, evidenciando a relação entre mortalidade materna e condições de vulnerabilidade social.

Apesar do cenário, o boletim aponta aumento no número de consultas de pré-natal entre os casos investigados. Mais de 50% das gestantes realizaram sete ou mais atendimentos, superando o mínimo recomendado pelo Ministério da Saúde.

“Entretanto, esse aumento de acesso não se refletiu na redução da mortalidade materna. Esse achado sugere limitações na qualidade da assistência, indicando que o cumprimento quantitativo do pré-natal, de forma isolada, não garante desfechos maternos favoráveis’, ressalta a nota.

De forma geral, o levantamento mostra que, embora o pré-natal seja iniciado precocemente, persistem fragilidades no acompanhamento das gestantes nas últimas semanas de gravidez, além de inconsistências nos registros, o que dificulta a análise dos dados e o planejamento de ações mais eficazes.

Entre 2021 e 2025, os registros de óbitos fetais permaneceram relativamente estáveis, sem variações expressivas ao longo do período. No entanto, há predominância de causas não especificadas, o que também limita a compreensão do cenário.

Já a mortalidade infantil apresentou oscilações moderadas. Após atingir o menor índice em 2021, houve aumento até 2023, seguido de estabilização nos anos seguintes, sem tendência contínua de alta ou queda.

No acumulado de 2021 a 2025, foram registrados 2.468 óbitos de crianças menores de 1 ano, com média anual de 494 casos. Desse total, 67% tiveram como causa básica afecções originadas no período perinatal, com destaque para septicemia neonatal, desconforto respiratório e condições relacionadas à saúde materna.

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