
Cada vez mais casais têm adiado os planos de ter filhos para priorizar carreira, estabilidade financeira e objetivos pessoais. A consequência desse comportamento aparece nos consultórios: com o avanço da idade, a reserva ovariana diminui e a qualidade dos óvulos e dos espermatozoides também tende a cair.
Quando o assunto é saúde masculina, o cenário acende um alerta. Os casos de infertilidade entre homens vêm crescendo no Brasil e reforçam a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
Dados do Ministério da Saúde mostram que os atendimentos relacionados à infertilidade masculina no Sistema Único de Saúde (SUS) mais que dobraram na última década. Em 2015, foram registrados 725 atendimentos. Já em 2024, o número chegou a 2,5 mil, o maior da série histórica.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), uma em cada seis pessoas enfrenta dificuldades para engravidar. Nos casos de infertilidade conjugal, aproximadamente 40% têm origem feminina, 40% masculina e os demais 20% envolvem fatores combinados ou causas ainda não identificadas.
Apesar disso, ainda é comum que apenas a mulher seja investigada inicialmente, o que pode atrasar diagnósticos importantes nos homens. O urologista e especialista em saúde íntima Henrique Coelho alerta que esse atraso pode comprometer as chances de tratamento.
“A infertilidade masculina ainda é pouco debatida e, muitas vezes, o homem só procura ajuda quando o casal já enfrenta dificuldades para engravidar há bastante tempo. Quanto mais cedo identificamos alterações, maiores são as chances de tratamento e preservação da fertilidade”, afirma.
Entre as principais causas da infertilidade masculina está a varicocele, doença caracterizada pela dilatação das veias da bolsa testicular, semelhante às varizes. O problema pode afetar a produção e a qualidade dos espermatozoides e é considerado uma das causas mais frequentes de infertilidade nos homens.
Henrique Coelho explica que muitos casos poderiam ser identificados ainda na adolescência, durante consultas preventivas ao urologista. “Levar o filho cedo ao urologista é fundamental. A adolescência é um período importante para identificar alterações testiculares, como a varicocele. Em muitos casos, o tratamento precoce evita prejuízos futuros à fertilidade”, destaca.
O especialista ressalta que o diagnóstico é feito principalmente por exame clínico e que o tratamento, quando necessário, costuma ser cirúrgico, com bons resultados, especialmente quando realizado precocemente.

Além da varicocele, outras causas também estão relacionadas à infertilidade masculina, como alterações hormonais, doenças genéticas, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs), uso de anabolizantes, sequelas de tratamentos oncológicos, obesidade, tabagismo, alcoolismo, sedentarismo e altos níveis de estresse.
“Hoje, o estilo de vida tem impacto direto sobre a fertilidade masculina. Má alimentação, álcool em excesso, cigarro, obesidade e estresse aumentam processos inflamatórios no organismo e afetam a produção dos espermatozoides, tanto em quantidade quanto em qualidade”, explica Henrique Coelho.
O primeiro exame indicado para investigar infertilidade masculina é o espermograma, responsável por avaliar concentração, motilidade e morfologia dos espermatozoides. Dependendo do caso, também podem ser solicitados exames hormonais, genéticos e ultrassonografia da bolsa testicular. “A ida ao urologista não deve acontecer apenas na fase adulta ou quando surgem sintomas. O acompanhamento preventivo na infância e adolescência pode fazer toda a diferença no futuro reprodutivo do homem”, finaliza Henrique Coelho.











