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Grupo de MS quer lançar primeira pós-graduação em ufologia no mundo

A Dakila ainda não conseguiu essa permissão, mas está prestes a lançar, conforme difundido em suas redes sociais, a primeira pós-graduação em ufologia do mundo (Foto: Grupo Dakila)

Classificadas como “bobagem’ por representantes das ciências tradicionais, as pesquisas do Ecossistema Dakila têm representantes em todo o mundo, com páginas na internet dedicadas à propagação de linhas teóricas que afirmam, por exemplo, que a Terra é convexa e que existe a civilização Muril, onde hoje está a Floresta Amazônica.

Presidente da SAB (Sociedade Astronômica Brasileira), Hélio Rocha, afirma que a entidade “não apoia, não promove e não reconhece qualquer instituto que se fundamente em princípios anticientíficos e hipóteses tresloucadas tais como terra oca ou Ratanabá. Não há o que falar sobre isso. É simplesmente bobagem’.

Pela Sociedade Arqueológica Brasileira, cuja sigla também é SAB, a ideia não é diferente. Dossiê elaborado pelo grupo e entitulado ‘A Dakila Pesquisas e as licenças de pesquisas arqueológicas’ informa que o instituto é visto com preocupação. Isso porque, desde 2023, a entidade tenta, de forma recorrente, obter autorização do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) para realizar pesquisas arqueológicas na região do município de Apiacás (MT), no Mato Grosso, onde teria sido descoberta a cidade de Ratanabá, da civilização Muril. O documento é assinado pelo historiador e arqueólogo Artur Henrique Franco Barcelos.

A Dakila ainda não conseguiu essa permissão, mas está prestes a lançar, conforme difundido em suas redes sociais, a primeira pós-graduação em ufologia do mundo. A grade de formação prevê 360 horas de aula para “incentivar pesquisadores, pensadores e pessoas curiosas a explorarem novas possibilidades de aprendizado’, segundo as publicações. A ufologia é considerada uma pseudociência.

Se, de um lado, a pesquisa acadêmica tradicional rejeita as supostas descobertas divulgadas pelo sistema mantido pelo empresário Urandir Fernandes de Oliveira, de outro, ele não demonstra interesse em obter essa aprovação. Em vídeos publicados por ele, afirma que a arqueologia no Brasil integra uma rede de manipulações que impediria pesquisas e se articularia para coibir as atividades de seu ecossistema.

“Meio dúzia de pessoas que se dizem detentoras do conhecimento arqueológico, seguram as informações, seguram as pesquisa, e utilizam de algumas artimanhas acadêmicas para travar a divulgação e principalmente o aprofundamento das pesquisas de alguns profissionais que não estejam jogando no mesmo tabuleiro deles. Então isso para o Brasil é muito feio’, disse Urandir em uma publicação.

Urandir, além de megaempresário e responsável por ter ‘descoberto’ o chamado ET Bilu, e seria um extraterrestre que se comunica com humanos no Projeto Portal, em Corguinho, cidade a 99 km de Campo Grande. Lá, está sendo erguida a Cidade Zigurats, também criação do empresário e onde está sendo erguida uma pirâmide.

Nas páginas do ecossistema, Urandir é identificado como ufólogo, mas também como “o farol do desenvolvimento na fronteira tecnológica mundial e a luz pioneira que levará a humanidade pelo caminho do esclarecimento cientifico-tecnológico’.

Além das pesquisas em arqueologia e astronomia, o ecossistema Dakila estuda objetos voadores não identificados e as chamadas “luzes bioplásmicas’, que seriam manifestações luminosas misteriosas, descritas como naves com frequência energética capaz de interagir com a humanidade e provocar transformações em quem as observa. Ou seja, não seria apenas um objeto de estudo científico, mas também espiritual.

Vale destacar que no site principal do grupo Dakila, há a lista de empresas e segmentos cujo proprietário e responsável é Urandir, como a 067 Vinhos, a moeda digital BDM, além de lojas de materiais de construção, cerâmica e até cosméticos.

Em contato com a equipe de comunicação do grupo, a reportagem foi informada de que não há interesse, por parte do Ecossistema Dakila, em manter qualquer relação institucional ou jornalística com o Campo Grande News, e que não serão concedidas entrevistas ou informações.

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