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Ausência de 3 dos 6 convidados esvazia primeiro debate presidencial

Foto: Reprodução R7

O debate entre candidatos à Presidência da República feito neste domingo (23) foi marcado pela ausência dos dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Os púlpitos destinados aos dois ficaram vazios, assim como o de Romeu Zema (Novo), que também não participou do encontro promovido pelo Grupo Bandeirantes. Na ausência dos adversários, os três candidatos presentes, Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante), fizeram críticas aos concorrentes.

Antes do início do debate, os candidatos que participaram do encontro criticaram as ausências. Caiado afirmou que Lula e Flávio Bolsonaro “não têm nada a mostrar e têm muito a esconder”. Sobre Zema, disse não saber se o candidato havia desistido da candidatura. O candidato do PSD afirmou ainda que, sem tempo de propaganda eleitoral na televisão, era necessário aproveitar oportunidades como o debate para apresentar propostas. Segundo ele, juros altos e segurança pública eram temas que gostaria de discutir com os candidatos que chamou de “fujões”.

Renan Santos adotou um tom mais agressivo. O candidato do Missão chamou Lula e Flávio Bolsonaro de “imbecis corruptos” e afirmou que a decisão de não participar de debates é contrária à democracia que os dois dizem defender. Com duas fraldas geriátricas nas mãos, uma com o nome de Lula e outra com o de Flávio, disse que a ausência era típica de quem tem “rabo preso”. Também chamou os dois de “criminosos” e afirmou que, caso quisessem se defender das acusações, deveriam estar no debate.

Bolsa Família

Durante o encontro, Renan afirmou ainda que não quer o voto de parte do eleitorado de Lula. Segundo ele, a exceção seria o eleitor que recebe Bolsa Família e ainda acredita que o presidente é sua única fonte de alimentação. “O eleitor restante, que apoia esse cara, está sendo canalha, canalha. Está rifando o nosso futuro e eu não quero o voto dele”, declarou.

O candidato do Missão também criticou a proposta de fim da escala 6×1. Segundo ele, não seria possível reduzir a jornada de trabalho sem alterar os salários. Como alternativa, defendeu uma reforma trabalhista que permita a contratação por hora, medida que, em sua avaliação, poderia aumentar a remuneração dos trabalhadores. Em resposta, Augusto Cury citou o alto nível de burnout na população brasileira e defendeu uma adaptação da legislação para trabalhadores e empresários.

Cury, que havia anunciado que não participaria do debate, entrou no estúdio pouco antes do início do encontro. Do lado de fora da emissora, em uma transmissão ao vivo, havia afirmado inicialmente que deixaria o local caso os dois principais candidatos não comparecessem.

No encontro, Cury defendeu a manutenção do Bolsa Família, com ajustes. Segundo ele, trabalhadores com carteira assinada que tenham aberto um MEI não deveriam perder o benefício imediatamente, mas mantê-lo “por um certo tempo”. O candidato também afirmou que o Brasil está “dramaticamente doente, radicalizado, polarizado” e que a população estaria sendo levada a acreditar que o país está dividido em dois lados. Para ele, o Brasil está em um só barco, chamado de “família brasileira”. Cury também citou a existência de 6,7 milhões de jovens que não trabalham nem estudam.

Ao responder a Renan Santos, Cury afirmou que o adversário tem “um nível de agressividade” que o assombra.

Segurança

Caiado concentrou seus ataques principalmente em Lula e apresentou propostas nas áreas de segurança e economia. O candidato do PSD afirmou que, em um eventual governo, dará mais autonomia aos governadores para tomar decisões na segurança pública de acordo com as realidades de cada estado. Também defendeu que facções criminosas sejam classificadas como organizações terroristas e afirmou: “Me dê um mandato e você vai ver que bandido não vai mandar em um palmo do Brasil”.

O candidato também criticou a atuação de Lula na área de segurança e disse que o presidente poderia ter criado o Ministério da Segurança Pública por meio de uma Medida Provisória, sem esperar a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição.

Na economia, Caiado afirmou que Lula tem “espantado os geradores de riqueza do País” e defendeu um “choque de credibilidade”. Prometeu conter despesas, reduzir a taxa de juros para 6% e manter a inflação entre 3% e 4%. Segundo ele, as medidas poderiam recuperar a economia e evitar que empresários deixem o país para se instalar no Paraguai.

Na política internacional, Caiado afirmou ainda que Lula tem provocado o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por ter observado outros presidentes se reelegerem com uma estratégia semelhante.

Informações: R7

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