
Presa preventivamente desde 11 de setembro durante a Operação Antidotum, Alir Terra Lima formalizou sua renúncia à presidência da Associação Beneficente de Campo Grande (ABCG), mantenedora da Santa Casa de Campo Grande. A saída foi apresentada em caráter irrevogável e ocorre em meio às investigações do Ministério Público sobre contratos ligados ao hospital e à operadora Santa Casa Saúde.
Na carta, Alir afirma que decidiu deixar a função para permitir que a instituição mantenha sua administração em funcionamento e dê continuidade às negociações e decisões necessárias ao atendimento dos pacientes.
Segundo a ex-presidente, a condição de entidade filantrópica e a natureza dos serviços prestados exigem que a Santa Casa tenha uma direção com condições de tomar decisões administrativas sem entraves.
Ao encerrar a manifestação, Alir menciona sua trajetória na instituição e afirma:
“São 40 anos de serviço prestados à sociedade, onde eu também passo; deste mundo nada levamos. Cumpri minha missão e cada um foi testemunha da minha dedicação. Continuo associada. Que o doente, na Santa Casa, jamais seja visto como objeto de lucro.”
Alir estava em seu segundo mandato na presidência. Ela assumiu pela primeira vez no início de 2023 e havia sido reconduzida ao cargo em 2025.
Santa Casa passa por mudanças no comando
Desde a prisão de Alir, a instituição atravessa uma sequência de mudanças administrativas. Heitor Miguel Scheibeler, que havia assumido a presidência após a deflagração da operação, também deixou o cargo. Com isso, Heitor Rodrigues Freire, que já presidiu a Santa Casa anteriormente, voltou ao comando da instituição.
A nova administração foi apresentada nesta quarta-feira (23) e deverá completar o mandato até 31 de dezembro de 2028. Além de Heitor Freire na presidência, Luiz Alberto Hiroki Kanamura assume como superintendente executivo. A gestão informou que pretende revisar a situação financeira e os contratos mantidos pela instituição.
Alir permanece presa
A renúncia ao cargo não altera, por si só, a situação de Alir Terra Lima no processo criminal. Ela continua presa preventivamente no Presídio Militar Estadual, enquanto prosseguem as investigações da Operação Antidotum.
Pedidos apresentados pela defesa para substituir ou revogar a prisão foram rejeitados. Em uma das decisões, a Justiça considerou que a idade de 71 anos, isoladamente, não justificaria a concessão da prisão domiciliar sem demonstração dos demais requisitos legais.
A defesa também recorreu ao Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS). O desembargador José Ale Ahmad Netto rejeitou pedido liminar, ficando a análise do mérito para a 2ª Câmara Criminal.
Além de Alir, permanecem entre os investigados presos Rinaldo Hakme Romano, Paulo Guilherme Guttierrez Mariosa, Alessandro Dias Junqueira, Monique Gregório de Oliveira e Maurício Aparecido Benites. As prisões são preventivas e não representam condenação.
Operação investiga contratos da instituição
Deflagrada pelo Grupo Especial de Combate à Corrupção (Gecoc), com participação do Gaeco, a Operação Antidotum cumpriu seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).
Uma das frentes da investigação apura um contrato para digitalização de prontuários médicos. Conforme a apuração, o acordo previa pagamentos de R$ 1,8 milhão por ano durante três anos, alcançando R$ 5,4 milhões. Os investigadores sustentam que teriam ocorrido pagamentos elevados sem a correspondente prestação dos serviços e estimam, nesta etapa da apuração, prejuízo milionário.
Materialde referência geográfica
Outra linha da investigação envolve contratos celebrados pela operadora Santa Casa Saúde com empresas que, segundo os investigadores, integrariam um mesmo grupo econômico e teriam vínculos com pessoas relacionadas à administração da instituição.
Segundo a investigação, aproximadamente R$ 9,6 milhões foram pagos a essas empresas em 2025, com prejuízo estimado, até o estágio atual da apuração, em pelo menos R$ 3,5 milhões.
As suspeitas ainda estão sob investigação e deverão ser submetidas ao contraditório e à análise judicial. A renúncia de Alir encerra sua atuação na presidência, mas não significa reconhecimento das acusações investigadas na Operação Antidotum.











