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Lideranças indígenas de MS aprovam programa com 155 metas para apresentar ao governo federal

Proposta reúne seis planos nacionais para o período de 2027 a 2030 e será encaminhada à Presidência da República após consulta a outras comunidades indígenas

Representantes indígenas de Mato Grosso do Sul aprovaram, no sábado (31 de outubro), uma proposta de políticas públicas que reúne 155 metas distribuídas em 61 áreas de ação para o período de 2027 a 2030. O documento prevê iniciativas nas áreas de saúde, educação, proteção dos conhecimentos tradicionais, empreendedorismo, produção agropecuária cooperativa e mineração em terras indígenas, com a intenção de orientar ações do governo federal nos próximos quatro anos.

A aprovação ocorreu em Campo Grande, durante reunião convocada pelo Fórum dos Caciques de Mato Grosso do Sul (FOCAMS). Segundo a organização, participaram do encontro 32 lideranças, caciques e representantes de instituições indígenas, que aprovaram por unanimidade e aclamação o Programa Integrado de Políticas para os Povos Indígenas 2027 a 2030.

O documento será encaminhado inicialmente a outras instituições indígenas que não participaram da reunião, para que possam apresentar sugestões e manifestar apoio à proposta. Depois dessa etapa, a intenção é enviá-lo à Presidência da República, à Casa Civil, ao Ministério dos Povos Indígenas, à Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a outros órgãos federais.

Programa reúne seis áreas prioritárias

A proposta foi estruturada em seis planos nacionais, voltados a diferentes necessidades das comunidades indígenas. O objetivo é reunir demandas em um único documento e apresentar medidas que possam ser avaliadas e executadas pelos órgãos responsáveis.

Os seis eixos contemplados são:

  • Saúde indígena: propostas destinadas à área de atendimento e assistência à saúde dos povos indígenas.
  • Educação escolar indígena: iniciativas relacionadas às necessidades educacionais das comunidades.
  • Proteção dos conhecimentos tradicionais: medidas voltadas à preservação e à valorização dos saberes indígenas.
  • Empreendedorismo: ações para incentivar atividades econômicas e oportunidades de geração de renda.
  • Produção agropecuária cooperativa: propostas relacionadas à organização produtiva e ao desenvolvimento de atividades cooperativas.
  • Mineração em terras indígenas: tema incluído no planejamento, cuja eventual implementação depende das exigências constitucionais e legais aplicáveis, incluindo os direitos de consulta e participação dos povos afetados.

Ao todo, o programa estabelece 61 áreas de ação e 155 metas verificáveis, distribuídas entre os seis planos.

Entre as instituições federais mencionadas estão o Ministério dos Povos Indígenas, a Funai, a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) e o Ministério da Educação (MEC).

Segundo os responsáveis pela elaboração, o programa foi concebido para utilizar estruturas administrativas já existentes, sem propor a criação de novos cargos públicos.

Proposta prevê 155 metas sem criação de cargos

A estrutura apresentada pelo FOCAMS concentra as principais diretrizes do programa em quatro indicadores:

  • 6 planos nacionais, abrangendo diferentes áreas de políticas públicas.
  • 61 áreas de ação, destinadas à organização das propostas.
  • 155 metas verificáveis, previstas para o período de 2027 a 2030.
  • Nenhum cargo novo, conforme o modelo administrativo apresentado pelos organizadores.

A aprovação pelas lideranças representa uma etapa de articulação política e institucional. A execução das medidas, entretanto, dependerá da análise e de eventuais decisões do governo federal, além das condições legais, administrativas e orçamentárias necessárias.

Documento foi elaborado por instituto indígena

O texto foi desenvolvido pelo Instituto Cacique Enir Terena (ICET), a pedido do Fórum dos Caciques de Mato Grosso do Sul.

A elaboração ficou sob responsabilidade de Maria Auxiliadora Bezerra, presidente do ICET, e de Germano Coelho Ramos Rocha-Silva, indígena da etnia Terena e mestre em Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia para a Inovação.

O trabalho reuniu propostas destinadas a diferentes órgãos da administração federal, buscando estabelecer objetivos que possam ser acompanhados ao longo do período previsto.

Para o presidente do FOCAMS, Aguinaldo de Arruda Areco, a aprovação representa o resultado de uma construção realizada a partir das próprias comunidades.

“O Programa nasceu nas aldeias e hoje foi aprovado por quem vive nelas. Agora vamos levar ao governo federal a palavra das comunidades de Mato Grosso do Sul”, afirmou.

Outras comunidades poderão apresentar propostas

Apesar da aprovação unânime entre os participantes da reunião, o documento ainda passará por uma etapa de ampliação da participação indígena.

Segundo o FOCAMS, instituições que não estiveram presentes no encontro receberão o programa para analisar seu conteúdo, sugerir alterações e, caso concordem, subscrever a proposta.

A iniciativa busca ampliar a representatividade do documento antes de sua apresentação às autoridades federais.

Os organizadores também relacionam a aprovação ao fortalecimento da Governança Indígena de Mato Grosso do Sul, articulação que pretende reunir lideranças e instituições em torno de demandas comuns.

A participação de outras comunidades será importante para identificar necessidades específicas de diferentes povos e regiões do Estado, considerando as particularidades culturais, sociais e territoriais de cada população.

Programa será encaminhado antes da posse presidencial

A previsão dos organizadores é concluir a etapa de consulta e encaminhar o documento ao governo federal antes da posse presidencial prevista para 1º de janeiro de 2027.

O envio deverá contemplar a Presidência da República, a Casa Civil, o Ministério dos Povos Indígenas, a Funai e os demais ministérios relacionados às áreas previstas no programa.

A apresentação das propostas não significa que as medidas já tenham sido incorporadas às políticas públicas federais. O documento ainda precisará ser recebido e avaliado pelas instituições competentes.

Para os povos indígenas de Mato Grosso do Sul, a iniciativa representa uma tentativa de ampliar a participação das comunidades na definição de prioridades nacionais, especialmente em setores que envolvem acesso a serviços públicos, preservação cultural e atividades econômicas.

ConsultarAtlas

O próximo passo será ampliar a adesão das instituições indígenas e apresentar formalmente as 155 metas ao governo federal, buscando transformar as propostas aprovadas pelas lideranças em ações concretas para o período de 2027 a 2030.

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