
Em meio a um acalorado debate sobre a Contribuição para o Custeio do Serviço de Iluminação Pública (COSIP) em Caarapó, uma publicação do vereador Celso Capovilla (PL) em suas redes sociais, que sugere um aumento abusivo no tributo, na verdade revela uma realidade diferente quando os dados são analisados a fundo.
A comparação entre duas faturas de energia, utilizada pelo parlamentar para criticar a gestão municipal, mostra que o aumento no valor da COSIP é um reflexo direto do maior consumo de energia do contribuinte, e não de um reajuste na alíquota do imposto.
A publicação e a impressão de aumento
Em sua postagem, o vereador expôs duas faturas de energia do mesmo consumidor. A primeira, com vencimento em janeiro de 2026 (referente a dezembro de 2025), mostrava uma cobrança de R$ 46,25 a título de iluminação pública. A segunda, com vencimento em fevereiro de 2026 (referente a janeiro), apresentava o valor de R$ 80,18 para o mesmo item. A comparação, à primeira vista, sugere um aumento de mais de 73% no tributo, alimentando a narrativa de que a prefeitura teria promovido um aumento expressivo na COSIP.
A análise dos fatos: O que os números realmente dizem
No entanto, uma análise detalhada dos dados presentes nas próprias faturas divulgadas pelo vereador demonstra que a conclusão de um “aumento” na taxa é mentirosa e distorcida.
O fator determinante para a variação do valor é o consumo de energia elétrica, que foi drasticamente diferente nos dois meses comparados.
Um levantamento realizado pela equipe de análise de dados deste portal organizou as informações para esclarecer a questão:
Dados das faturas
Os números são claros: o consumo de energia do contribuinte saltou de 254 kWh para 440 kWh, um aumento de 73,2%. O valor da COSIP, acompanhou essa mesma variação.
Ao calcular o custo da COSIP por quilowatt-hora (kWh), percebe-se que a alíquota permaneceu estável, em aproximadamente R$ 0,182 por kWh nos dois meses.
Isso significa que o contribuinte não pagou uma taxa maior; ele simplesmente consumiu muito mais energia, e a cobrança da COSIP, sendo proporcional a esse consumo, aumentou na mesma medida.
Contexto político e a desinformação
A publicação do vereador ocorre em um momento de forte tensão política em Caarapó. A prefeita Maria Lurdes Portugal (PL) e o vereador Celso Capovilla, embora do mesmo partido, travam uma batalha pública que chegou à esfera judicial, com a prefeita ingressando com uma queixa-crime por calúnia e difamação contra o parlamentar.
A utilização de dados de forma descontextualizada para sugerir um aumento de imposto que não ocorreu se inserir nessa disputa política. Ao omitir a informação crucial do aumento de consumo, a publicação do vereador leva a população a uma interpretação distorcida da realidade.
A Prefeitura de Caarapó já havia esclarecido anteriormente que o Decreto nº 298/2025, que gerou a polêmica inicial, era um ato administrativo de publicidade e não promovia alteração na cobrança do tributo. A análise das faturas divulgadas pelo próprio vereador opositor acaba, ironicamente, por corroborar a versão da prefeitura, ao demonstrar que a alíquota da COSIP se manteve estável.
Em um debate onde a transparência é fundamental, a apresentação de informações parciais e que levam a conclusões equivocadas serve mais para inflamar o ambiente político do que para esclarecer o cidadão sobre seus direitos e deveres.
Fonte: Alô Caarapó

