Por: Jornal Ms Agora / Tiago Pires

Hospitais superlotados, falta de leitos, surto de doenças respiratórias e um decreto de emergência em saúde pública em vigor. Ainda assim, Campo Grande decidiu manter um megashow neste sábado (17), com Léo Santana, Maiara & Maraisa e Cat Dealers. A pergunta que ecoa nas redes sociais e nos corredores das unidades de saúde é simples: que tipo de prioridade é essa?
Desde 26 de abril, a capital sul-mato-grossense vive uma crise sanitária que obrigou a prefeitura a declarar emergência. O objetivo seria, em tese, agir com rapidez para conter o avanço das síndromes respiratórias que já pressionam ao limite a rede pública. Médicos relatam UTIs lotadas, pacientes aguardando vaga nos corredores e falta de insumos. A cidade parece à beira do colapso.
Mas o cenário nas ruas – ao menos para parte da população – é bem diferente. O festival “Mexidinho das Maiaras”, realizado em área privada, promete reunir milhares de pessoas em uma grande celebração com estrutura de palco, luzes, camarotes e som. Ingressos custam a partir de R$ 110. O evento tem patrocínio, produção privada e apoio comercial, mas zero resposta pública sobre medidas sanitárias.
Emergência seletiva?
A incoerência é gritante. O mesmo município que justifica a suspensão de cirurgias eletivas e a contratação emergencial de médicos autoriza – ou ao menos permite – que um evento de massa ocorra normalmente, sem qualquer menção a restrições, protocolos ou fiscalização sanitária. A gestão municipal, até o momento, silencia sobre o assunto.
É legítimo questionar: se há risco sanitário, por que permitir aglomerações? Se não há, por que decretar emergência? Não é apenas um problema de saúde pública, é uma crise de credibilidade.
Silêncio que escancara o descaso
Nem a prefeitura nem a secretaria municipal de saúde emitiram posicionamento sobre o show. O decreto de emergência segue em vigor, mas, na prática, serve mais como carta branca para compras sem licitação do que como instrumento real de proteção à população.
Enquanto isso, profissionais da saúde continuam sobrecarregados e pacientes esperam horas por atendimento. A realização do festival, nesse contexto, não é só imprudente: é um tapa na cara de quem está na linha de frente da crise.
Campo Grande: emergência para uns, festa para outros
O contraste entre o desespero dos hospitais e a festa nos palcos revela uma lógica cruel: a de que a gravidade da situação depende de onde (ou de quem) se olha. Para a maioria que depende do SUS, a emergência é real. Para quem pode pagar por ingresso e camarote, a cidade parece viver tempos de celebração.
Mais do que um escândalo isolado, o episódio do show em meio à emergência sanitária escancara uma gestão pública desconectada da realidade e descompromissada com o básico: coerência e responsabilidade.

Hipocrisia está gritando ,como que nossos governantes estaduais e municipais ,cobram dos pais de crianças, medidas preventivas? ,sendo que o público está sendo insistentemente incentivados a comparecer a eventos de super celebridades !
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