Filme indígena estreará no segundo em aldeias de Caarapó e outros municípios

Com recursos da Lei Paulo Gustavo, Gee Kaiowá e Kiki Concianza Kaiowá gravam a história do protetor da floresta indígena

Já imaginou uma entidade que protege as matas e tudo o que nela habita? Não estamos falando do Curupira, mas sim do Ka’a guy jára, um ser mitológico integrante da cultura Kaiowá, que ganhou vida nas telas de cinema por meio de um sonho. O cineasta Gilearde Barbosa Pedro, mais conhecido como Gee Kaiowá, foi visitado por essa entidade enquanto cursava a Escola de Cinema Darcy Ribeiro, no Rio de Janeiro. Em um sonho vívido, o Ka’a guy jára correu atrás de Gee, que, ao acordar, não conseguiu mais esquecê-lo. Anos depois, ao escutar mais sobre a lenda indígena, Gee se uniu a Kiki Concianza Kaiowá para transformar a história em filme, com recursos da LPG (Lei Paulo Gustavo).

Com a produção iniciada em 2025, o filme foi gravado na Aldeia Panambizinho e na Retomada Laranjeiras, região de Dourados e Caarapó, e conta a história de Denis, um jovem indígena que trabalha em uma fazenda e, ao retirar recursos da mata sem pedir a devida autorização, encontra o protetor da floresta. Esse encontro o leva a refletir sobre suas raízes culturais.

Gee Kaiowá, com sua experiência em audiovisual indígena, e Kiki, especializada em documentários e preservação do conhecimento ancestral, enfrentaram os desafios de produzir um filme em Mato Grosso do Sul, um local ainda distante da infraestrutura cinematográfica. Entre os obstáculos, foi necessário pedir permissão através de rituais espirituais para que a filmagem fosse realizada nas fazendas.O filme também conta com a participação do dançarino e performer manauara Odacy Oliveira, que interpreta a entidade Ka’a guy jára, e um elenco de talentosos artistas indígenas da região. Para a produção, a equipe contou com profissionais como Renan Braga (roteiro e produção), Felipe Bomfim (direção de fotografia), Letícia Germanotta (som direto), entre outros.Com estreia prevista para o segundo semestre de 2025, o filme será exibido em aldeias e escolas indígenas, além de ser inscrito em festivais nacionais e internacionais antes de sua distribuição em plataformas de streaming.O projeto reflete a riqueza cultural dos povos indígenas e busca aproximar o público da cosmovisão Kaiowá, revelando uma lenda que, através do cinema, pode continuar a proteger as matas e os seres que delas dependem.

Fonte: Portal da Cidade Caarapó

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