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Governo quer oferecer Malha Oeste para investidores chineses

Foto: Paulo Ribas

O projeto de concessão da ferrovia Malha Oeste entrou em uma fase decisiva e passou a ser oficialmente apresentado ao mercado. Com investimentos estimados em quase R$ 35 bilhões, o corredor ferroviário que liga Corumbá (MS) à Mairinque (SP), começa a ser ofertado a investidores nacionais e internacionais por meio de um roadshow fechado, organizado pelo governo federal.

O Correio do Estado havia adiantado, na semana passada, que o cronograma do leilão da ferrovia seria apresentado na sexta-feira em evento de lançamento do ramal ferroviário da empresa Arauco Celulose, em Inocência.

A informação foi confirmada pelo secretário estadual de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, em entrevista ao Correio do Estado, durante o evento.

Segundo ele, o Ministério dos Transportes e a Secretaria Nacional concluíram o projeto técnico e iniciam, já na semana que vem, a apresentação estruturada do ativo ao setor privado.

“O ministro Renan [Calheiros Filho] disse, junto ao secretário nacional de ferrovia, que eles estão com o projeto pronto. Dias 9 e 10, agora, na próxima semana, eles vão fazer o primeiro roadshow para apresentar [o projeto] para investidores, isso é uma novidade boa. Não é um evento aberto, só vão chamar investidores, possivelmente chineses e brasileiros”, afirma o secretário.

A estratégia marca uma mudança relevante na condução do projeto. Em vez de um lançamento direto ao mercado, o governo optou por testar o apetite dos investidores antes do leilão, ajustando o desenho da concessão conforme o interesse demonstrado.

Além do roadshow nacional, Campo Grande também receberá uma apresentação oficial do projeto no dia 5 de março. O encontro reunirá representantes do governo federal, estadual e potenciais interessados, reforçando o protagonismo de Mato Grosso do Sul na articulação da ferrovia.

Segundo Verruck, o cronograma segue avançando e a expectativa do governo é levar o projeto à B3 ainda neste ano. “No dia 5 de março, nós vamos fazer uma reunião em Campo Grande para eles apresentarem o projeto também. E o ministro falou para o governador aqui, agora, que vai para a B3 aí desse ano, a expectativa é em novembro”.

A ministra do Planejamento, Simone Tebet, disse durante o lançamento da pedra fundamental para construção de um ramal ferroviário de 47 quilômetros em Inocência.

Nesta sexta-feira, em Inocência, a Arauco lançou a construção dos 47 km de malha ferroviária  – Foto: Mairinco de Pauda/Semadesc

Nesta sexta-feira, em Inocência, a Arauco lançou a construção dos 47 km de malha ferroviária  – Foto: Mairinco de Pauda/Semadesc
“Em novembro deste ano, tudo dando certo, nós estaremos na B3, em São Paulo, festejando o sucesso do leilão da Malha Oeste, que vai revitalizar a ferrovia entre Três Lagoas e Campo Grande”, afirmou a ministra durante seu pronunciamento no palanque montado no canteiro de obras da fábrica de celulose de US$ 4,6 bilhões da Arauco.

BLOCOS
Um dos principais diferenciais do projeto da Malha Oeste é o formato de concessão. Conforme já antecipado pelo Correio do Estado, o leilão não será feito como um único pacote. A ferrovia será ofertada em blocos independentes, permitindo que investidores escolham trechos específicos, de acordo com sua estratégia e capacidade financeira.

O projeto completo contempla o trecho entre Corumbá e Mairinque, mas está dividido em três grandes blocos. Dessa forma, uma empresa poderá, por exemplo, optar por investir apenas no trecho entre Campo Grande e Ribas do Rio Pardo, sem a obrigação de assumir toda a malha.

“Não é uma divisão por fases, é um modelo em blocos. O setor privado pode falar: eu só quero fazer em Campo Grande até Ribas [do Rio Pardo]. E aí eles vão testar, e estão muito otimistas. O total de investimento é de quase R$ 35 bilhões, o projeto total, de Corumbá até Mairique”, disse Verruck.

A avaliação do governo é que o fatiamento reduz riscos, amplia a concorrência e torna o projeto mais atrativo, especialmente em um cenário de elevados custos de capital e seletividade dos investidores em grandes obras de infraestrutura.

A retomada da Malha Oeste é considerada estratégica para Mato Grosso do Sul e para o País. A ferrovia tem papel central na integração logística do Centro-Oeste, no escoamento da produção agroindustrial e mineral e na conexão com corredores de exportação.

Atualmente, grande parte da produção estadual depende do transporte rodoviário, o que eleva custos e reduz competitividade. A reativação e modernização da ferrovia é vista como um passo essencial para reduzir gargalos logísticos, atrair novos investimentos industriais e fortalecer a inserção do Estado nas cadeias globais.

De acordo com o governador Eduardo Riedel, o leilão vai fazer a concessão de toda a ferrovia, de Três Lagoas a Corumbá, e de Campo Grande e Ponta Porã. “Porém, num momento inicial, somente os cerca de 350 quilômetros, entre Campo Grande e Três Lagoas, serão revitalizados”.

Ainda segundo Riedel, já existem empresas interessadas em fazer a revitalização deste primeiro trecho. Num segundo momento, os outros dois trechos também devem ser revitalizados. No futuro, acredita ele, boa parte dos minérios extraídos em Corumbá – hoje em torno de 12 milhões de toneladas por ano – poderão ser escoados pela ferrovia.

OTIMISMO
Apesar da complexidade e do elevado volume de recursos envolvidos, o governo avalia o momento como favorável. O avanço do projeto técnico, a definição do modelo de concessão e o início do diálogo direto com investidores são vistos como sinais de maturidade da proposta.

Se confirmado o cronograma, a Malha Oeste poderá finalmente sair do papel após décadas de degradação e entraves jurídicos e operacionais, inaugurando uma nova etapa para a infraestrutura ferroviária do Estado e consolidando Mato Grosso do Sul como eixo logístico do Centro-Oeste.

“Nunca um empreendedor fez uma ferrovia na história moderna do Brasil por esse modelo de autorização”, disse o ministro dos Transportes, Renan Filho. Após comemorar os investimentos na ferrovia da Arauco, ele anunciou a relicitação da Malha Oeste ainda para este ano. A ferrovia Malha Oeste está desativada há anos e atravessa o Estado de Leste a Oeste, desde Três Lagoas a Corumbá.

“Vamos investir outros R$ 850 milhões em Mato Grosso do Sul, para concluir acesso à ponte de Porto Murtinho e reconstruir a rodovia”, acrescentou Renan Filho.

Conforme as previsões iniciais, o vencedor do leilão vai ter de investir R$ 89 bilhões ao longo de 57 anos para garantir o funcionamento da linha férrea, segundo o Ministério dos Transportes. Serão R$ 35 bilhões em investimentos (trilhos, locomotivas, edificações) e mais R$ 53 bilhões na operacionalização (manutenção e veículos).

Para ajudar a financiar os investimentos, a futura concessionária poderá contar com recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), com financiamento de até 80% dos custos totais, conforme previsão do Ministério dos Transportes.


Inaugurada há quase 112 anos, em 1914, a Malha Oeste é considerada estratégica para o escoamento da produção sul-mato-grossense, sobretudo do agronegócio e da indústria, mas enfrenta há décadas problemas por falta de manutenção.

Leia mais em: https://correiodoestado.com.br/economia/governo-quer-oferecer-malha-oeste-para-investidores-chineses/461776/

SÚZAN BENITES E KARINA VARJÃO – CORREIO DO ESTADO

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