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Guerra provoca falta de diesel nas lavouras de MS e ameaça colheita da soja

Foto: Marcelo Victor

A invasão dos Estados Unidos ao Irã, em fevereiro, impactou diretamente no preço do óleo diesel aqui no Brasil, que aumentou em mais de R$ 2 reais para os produtores rurais de Mato Grosso do Sul. Além disso, quem precisa do produto, está com dificuldade para conseguir.

A grande questão é: Esta escassez pode afetar a colheira de soja e o plantio do milho safrinha? A resposta é sim, e já está afetando.

Segundo o empresário Iris José Carloto, proprietário da transportadora e distribuidora Santa Izabel, que tem sede em Campo Grande, até o fim de fevereiro o preço do diesel nas grandes distribuidoras estava em R$ 5,20. Agora, está em R$ 7,50 ‘e mesmo assim a gente não encontra o produto para entregar nas fazendas’, afirma. 

O valor de R$ 7,50 é o praticado para o distribuidor. Para o produtor rural são acrescidos mais 25 a 30 centavos, em média, para cobrir os custos com entrega e por isso o produto está chegando por cerca de R$ 7,70 às fazendas.

A empresa dele distribui, nesta época de colheita da soja e plantio do milho safrinha, em torno de 200 mil litros por dia nas propriedades rurais e transportadoras do Estado. 

Na manhã desta quarta-feira (11), porém, o estoque estava praticamente zerado e não havia previsão para entrega nas grandes distribuidoras, como Shel, Ipiranga ou Vibra (Petrobras). ‘Na minha empresa devo ter uns 60 mil litros de diesel agora e tem um monte de produtor cobrando para que a gente entregue. O problema é que a gente não consegue’, explica Carloto.

Conforme o boletim da Aprosoja divulgado na segunda-feira (9), a colheita de soja em Mato Grosso do Sul estava em 63% dos 4,8 milhões de hectares que foram plantados. Na região norte, porém, esse percentual ainda estava na casa dos 40%. 

‘A falta de diesel só não parou as colheitadeiras de soja e os tratores que plantam milho porque esse tempo chuvoso está impedindo que os produtores trabalhem a todo vapor. Assim que o tempo melhorar, vai ter máquina parada por falta de diesel’, afirma o representante comercial Osório Marion, que há três décadas trabalha no setor de venda de diesel para produtores rurais da região de São Gabriel do Oeste e diz nunca ter vivenciado crise de desabastecimento idêntica. 

Por enquanto, conforme explicação de Osório Marion, não existe falta de diesel nas cidades ou ao longo das rodovias, pois as distribuidoras estão priorizando os postos de suas bandeiras. E, ao darem prioridade a este abastecimento, boa parte do setor rural está ficando sem o produto, explica. 

Nestes postos, por enquanto, o preço do diesel está mais baixo e por conta disso tem produtor rural apelando aos antigos tambores e buscando combustível nas cidades para levar para as fazendas, uma prática que estava praticamente descartada, segundo Iris Carloto. 

A empresa dele atua com 20 caminhões para distribuição de combustível em fazendas e cerca de 150 carretas para distribuição nos em todas as regiões do Estado. Cada bi-trem transporta 64 mil litros e nos últimos dias estes veículos tem transportado praticamente apenas gasolina e etanol. 

Reponsável pela distribuição de cerca de 7% de todo o diesel consumido em Mato Grosso do Sul, a Santa Izabel presta serviço inclusive para a distribuidora Vibra (Petrobras) e, segundo Iris Carloto, a falta de produto ocorre desde Paulínea e Araucária, que são os dois grandes centros nacionais de distribuição. 

Pelo fato de a escassez ter começado logo depois do início da guerra, quando ainda era impossível saber suas consequências, Osório Marion suspeita que grandes distribuidoras estejam escondendo estoques justamente para forçar a alta nos preços. ‘Mas isso é só um palpite. Só sei que o problema é grave e parece que estão tentado esconder esta gravidade’, opina. 

Por conta de uma regulamentação da Agência Nacional do Petróleo, os postos são proibidos de levar combustível às fazendas. Somente distribuidoras como a Santa Izabel, por exemplo, tem autorização para fazer estas entregas e por conta disso existe o risco real de a safra de soja sofrer interrupção por conta da falta do combustível. 

IMPORTAÇÃO

Outra importante distribuidora de diesel no estado, a Cenze, que atua com cerca de 70 carretas, enfrenta problema semalhante. O empresário Wellington Luiz Camargos, responsável pela distribuição de cerca de 5 milhões de diesel por mês no Estado, revela que está fazendo a entrega a conta-gotas. ‘Hoje temos 60 mil litros, mas para amanhã não temos mais nada’, explica.

De acordo com ele, 30% do diesel consumido no Brasil é importado, principalmente do Golfo do México. Este produto já está bem mais caro por conta da guerra e os distribuidores não querem comprá-lo. E, como Petrobras está mantendo os preços anteriores, todos estão querendo comprar somente da Petrobras, que não está dando conta de suprir a demanda. E por conta disso está faltando diesel, explica o empresário.  

De acordo com ele, se a Petrobras não elevar seus preços até o fim da próxima semana, esse diesel mais caro que normalmente é importado será encaminhado para outros países e aí sim haverá desabastecimento por um longo período no Brasil. 

PREÇO DA SOJA

Mas, se existe a preocupação com o desabastecimento, o preço da soja está dando sinais de reação. Desde o começo do mês, segundo dados da Aprosoja, a saca em Mato Grosso do Sul saiu de um preço médio de R$ 110,00 para R$ 112,00. A oscilação ocorre em decorrência da alta do dólar, que por sua vez foi provocada pela instabilidade do conflito no Oriente Médio. 

Informações: Correio do Estado 

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