
O delegado Danilo Mansur, responsável pelo caso de homicídio cometido pelo ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal, revelou que a alegação de legítima defesa possivelmente não será válida. A equipe de investigação aguarda o laudo pericial para confirmação dos fatos.
“Ele faz o primeiro disparo e, logo em seguida, ele vai até a vítima e faz o segundo disparo. Isso, por si só, na minha opinião, afasta a hipótese de legítima defesa. É difícil argumentar legítima defesa chegando atirando já”, comenta Mansur.
Segundo o delegado, o gerente da empresa de segurança que teria acionado Bernal sobre a suposta invasão a sua casa revelou ter ouvido dois disparos, com intervalo entre eles. “[O gerente] ouve o primeiro disparo, passam mais ou menos cinco segundos, e ouve o segundo. Então não houve legítima defesa, se confirmar essa linha, com os laudos periciais.”
Bernal se entregou à delegacia com o relato de que duas pessoas haviam invadido sua casa. Relatou, ainda, que não sabia o que havia acontecido com a pessoa baleada, conforme o delegado. Contudo, segundo a defesa do ex-prefeito o que houve foi uma legítima defesa. “Você não sabe se a pessoa tá armada, a pessoa arrombou sua porta […] veio pra cima de você”, disse o advogado Oswaldo Meza.
Bernal morava na residência?
Mansur destaca, ainda, que, apesar do ex-prefeito alegar que morava no imóvel onde o crime ocorreu, nada indica ser uma residência. “Ele falou que morava lá, mas, pelo que a gente apurou, vendo a disposição dos móveis, não é uma residência que aparenta alguém morar. Parece que ele tinha um escritório ali, mas ele ia poucas vezes”, explica o delegado.
O crime aconteceu em uma casa que pertenceu ao ex-prefeito, mas foi arrematada por R$ 2,4 milhões em um leilão, pela vítima, Roberto Mazzini, em 2025, por falta de pagamentos. Bernal tinha um débito de R$ 344.923,14 em IPTU.
A família de Roberto destaca que ele foi informado de que a casa já estava desocupada e havia um processo de desapropriação — ou seja, a vítima já poderia tomar posse do imóvel. Contudo, a defesa de Bernal diz que o local era, sim, sua casa.
“É a residência dele. Há esse processo onde a Caixa Econômica entrou com a ação de cobrança e depois veio o leilão. Mas os trâmites do leilão ainda não tinham sido finalizados. Não havia uma emissão na posse, não havia um mandado de reintegração ou oficial de Justiça. Foi realmente uma fatalidade”, diz Meza.
Ex-prefeito não tinha porte de arma
Wilton Edgar Acosta, advogado da defesa de Bernal, questionado sobre o ex-prefeito possuir arma, confirmou que ele tinha porte. Contudo, segundo Danilo Mansur, as investigações comprovaram que, na verdade, Bernal não possui porte de arma de fogo.
“O Bernal falou pra mim que tinha porte de arma de fogo, que tinha o registro da arma, o que a gente comprovou depois que não tinha. Ele será indiciado por porte ilegal de arma de fogo, a gente inseriu esse crime no boletim de ocorrência”, revela o delegado.
Defesa ficará em silêncio
Wilton disse, ainda, que a defesa usará o direito de permanecer em silêncio e se manifestar apenas no processo. “A defesa, neste momento, se reserva ao direito de permanecer em silêncio. Vamos nos manifestar apenas diante do Judiciário.”
O advogado comenta que o caso está cercado de “desinformação”. “Está se fazendo muito julgamento precipitado. Nós estamos assistindo muita desinformação sendo vinculada e as imagens divulgadas não deveriam ter sido divulgadas antes de estarem no processo”, finaliza.
Chaveiro será ouvido
O chaveiro que chegou ao imóvel junto de Mazzini será ouvido novamente pelo delegado nesta sexta-feira (27). “Ele será ouvido hoje, principalmente para entender a dinâmica no ponto específico em que a câmera não pegou [o tiro], o ponto cego.”
A Polícia Civil aguarda a chegada dos laudos periciais e do laudo necroscópico para esclarecer o caso e concluir a investigação.
Fonte: Mariana Pesquero, Lívia Bezerra/Midiamax












