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MS tem 2 mil km de rodovias com baixa capacidade de reduzir acidentes graves

Foto: Arquivo Agência Gov/ANTT

Vários fatores interferem em uma viagem segura quando o assunto é trafegar por uma rodovia, entre eles, o principal está a atenção do motorista e a manutenção do veículo, mas e quando a própria rodovia tras esse risco? Mato Grosso do Sul possui 2.024 quilômetros de rodovias classificados com baixo ‘Índice de Perdão’, que têm baixa capacidade de reduzir acidentes graves, segundo a terceira edição do Painel CNT de Rodovias que Perdoam, atualizado com dados de 2025. O levantamento avalia a capacidade da infraestrutura rodoviária de reduzir ou agravar as consequências dos acidentes de trânsito.

Aqui no Estado, outros 2.282 quilômetros foram enquadrados com médio Índice de Perdão, enquanto apenas 433 quilômetros alcançaram alto nível de segurança estrutural, cenário que coloca Mato Grosso do Sul como o 13º sistema rodoviário mais perigoso do país, com 42% das estradas avaliadas na faixa de baixo perdão.

Quandos e fala na metodologia da CNT (Confederação Nacional do Transporte), a mesma considera fatores físicos das rodovias que podem influenciar diretamente a gravidade dos sinistros. Quanto maior o chamado Índice de Perdão, maior a capacidade da via de minimizar impactos em situações de erro humano, falhas mecânicas ou acidentes inevitáveis.

Entre os itens analisados estão acostamentos, barreiras de proteção, defensas metálicas, áreas livres de obstáculos, atenuadores de impacto e outros dispositivos de segurança passiva.

Apesar da classificação preocupante em relação às rodovias com baixo perdão, a pesquisa também posiciona Mato Grosso do Sul na 15ª colocação entre os estados com rodovias mais seguras, evidenciando um cenário intermediário no ranking nacional.

No panorama brasileiro, os dados de 2025 mostram relativa estabilidade. Do total da malha analisada pela CNT, 19,9%, o equivalente a 22.694 quilômetros, receberam classificação de Alto Índice de Perdão.

Outros 42,7% (48.733 km) ficaram na faixa intermediária e 37,5% (42.770 km) foram enquadrados como de Baixo Índice de Perdão.

Em relação ao levantamento anterior, houve pequena queda nos trechos com alto perdão, de 0,4 ponto percentual, acompanhada de um aumento de 0,9 ponto percentual na faixa intermediária.

Segundo a CNT, mais de 80% da extensão analisada ainda apresenta média ou alta probabilidade de que problemas de infraestrutura, associados a falhas de condução ou defeitos mecânicos, resultem em mortes ou feridos graves.

A pesquisa também evidencia diferenças entre modelos de gestão rodoviária. Nas rodovias administradas pelo poder público, metade da malha avaliada apresenta baixo Índice de Perdão, enquanto apenas 4,8% conseguem oferecer alto nível de mitigação dos acidentes.

Já nas rodovias concedidas à iniciativa privada, o cenário é inverso: 62% dos trechos possuem alto Índice de Perdão e apenas 2,4% estão classificados com baixo nível de segurança estrutural.

“A terceira edição do Painel confirma que a qualidade da infraestrutura viária impacta diretamente a gravidade dos acidentes. Embora o cenário nacional indique estabilidade, os resultados mostram que os avanços ainda são desiguais, reforçando a necessidade de ampliar investimentos em segurança viária, especialmente nas rodovias sob gestão pública’, destacou a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende.

A análise territorial da entidade aponta ainda que os trechos mais seguros concentram-se principalmente nas regiões Sul e Sudeste, onde predominam as concessões rodoviárias.

Já Norte, Nordeste e Centro-Oeste seguem marcados por corredores classificados entre médio e baixo Índice de Perdão, inclusive em rotas estratégicas para o transporte de cargas e passageiros.

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