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Plano Safra cresce R$ 9 bilhões, mas burocracia ainda trava acesso ao crédito, avalia Acrissul

Presidente da entidade, Guilherme Bumlai afirma que, apesar do aumento dos recursos, produtores continuam enfrentando burocracias

A ampliação dos recursos do Plano Safra 2026/2027 foi recebida com ressalvas pelo setor produtivo do agronegócio em Mato Grosso do Sul. Em entrevista ao jornal O Estado, o presidente da Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), Guilherme Bumlai, explicou que o aumento de R$ 9 bilhões em
relação ao ciclo anterior é positivo, mas não resolve o principal problema enfrentado pelos produtores: o acesso ao crédito.

Segundo Bumlai, embora o volume anunciado pelo Governo Federal seja expressivo, a liberação dos financiamentos continua esbarrando em processos burocráticos que dificultam a contratação dos recursos. “Apesar de aparentemente os recursos anunciados pelo Plano Safra serem fartos, com um aumento
tímido de R$ 9 bilhões, a liberação desses valores sempre esbarra em obstáculos excessivamente
burocráticos que limitam o acesso do produtor rural.”

O presidente da Acrissul afirma que os bons resultados do agronegócio brasileiro não têm sido acompanhados por políticas de crédito compatíveis com a realidade do setor. “Apesar dos números positivos do agro, com crescimento anual de quase 12%, recorde na produção e nas exportações, o governo federal
ignora esses resultados ao impor juros elevados e não considerar os riscos da atividade.”

Bumlai também destaca que o cenário é agravado pelo aumento dos custos de produção e pelas incertezas climáticas. “Esses riscos podem ser ainda maiores quando considerados os aumentos dos insumos e dos
custos da produção agropecuária, principalmente em um ano em que são previstas perdas tanto para a agricultura quanto para a pecuária em razão dos impactos do fenômeno El Niño.”

Outro ponto levantado pelo dirigente é a indefinição sobre o seguro rural e a renegociação das dívidas dos produtores. “Até agora, as regras do seguro rural continuam sendo um mistério para o produtor, e o plano de renegociação das dívidas vem sendo utilizado como moeda de troca pelo governo para reter recursos
e dificultar o acesso ao crédito.”

Análise econômica

Para o economista Eduardo Matos, a redução dos juros foi algo positivo para o setor. “ Os produtores avaliam de forma boa essa redução, porém os recursos aplicados dão mais prioridade aos investimentos e isso nós devemos citar a ação de ativos e produtos, como máquinas e equipamentos, e isso tende a provocar uma modernização do campo em detrimento das captações de recursos voltadas ao capital de giro, que
é aquele recurso, digamos, livre, para justamente poder cobrir os custos e as dívidas de algumas linhas voltadas à renegociação de dívidas, que é um dos problemas que o setor agro vem enfrentando nos últimos anos”.

Eduardo ainda relata uma pressão maior para contratação de seguros rurais. “A recuperação judicial é um
ponto de atenção para o Governo Federal, para o equipamento monetário da economia brasileira de um modo geral. E pensando nisso, há um gatilho maior, pela contratação de seguros rurais para acessar
determinadas linhas. Então, o produtor rural se vê um pouco mais perdido e com alternativas mais escassas quanto ao recurso livre e pressionado mais à modernização e ao investimento. Ou seja, o Plano Safra é justamente uma política de incentivo ao setor produtivo rural”. 

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