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Ponte da Rota Bioceânica deve unir Brasil e Paraguai nesta semana

Foto: Toninho Ruiz

A construção da ponte internacional da Rota Bioceânica, entre Porto Murtinho, em Mato Grosso do Sul, e Carmelo Peralta, no Paraguai, deve alcançar nesta semana uma das etapas mais simbólicas da obra. A previsão é que na quarta-feira, 15 de julho, ocorra o chamado “beijo das aduelas”, quando as duas frentes da estrutura se encontram sobre o Rio Paraguai.

A ligação física entre os dois países faz parte do corredor logístico que pretende integrar Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, criando uma nova saída para a produção sul-americana até os portos do norte chileno, no Oceano Pacífico. A expectativa é reduzir custos de transporte, encurtar rotas comerciais e ampliar a competitividade das exportações para os mercados asiáticos.

Conforme a última atualização da obra, faltam poucos metros para o fechamento do vão central da ponte, que terá 350 metros sobre o Rio Paraguai. A estrutura completa terá 1.294 metros de comprimento, 21 metros de largura e altura de 35 metros acima da calha do rio, permitindo navegação segura no trecho.

Apesar do encontro das duas extremidades representar a conclusão da ligação física entre Brasil e Paraguai, a ponte ainda não será liberada imediatamente para o tráfego. Após essa etapa, começa a fase final da obra, com implantação de calçadas, pistas, iluminação viária e ornamental, pavimentação e sinalização.

A expectativa é que essa fase seja concluída em agosto. Já o acesso à ponte pelo lado paraguaio deve ser totalmente finalizado até o fim de novembro. Paralelamente, seguem em andamento os trabalhos nos viadutos que integrarão as cabeceiras da ponte nos dois países.

No lado brasileiro, também avançam as obras da alça de acesso, orçada em aproximadamente R$ 574 milhões. O trecho terá 13,1 quilômetros de rodovia e fará a ligação entre a BR-267 e a ponte, em Porto Murtinho. A previsão é que as alças de acesso à rodovia sejam concluídas e liberadas ao público até 2028.

A ponte é considerada peça central da Rota Bioceânica. O projeto terá trecho estaiado de 632 metros, sustentado por torres de 130 metros de altura. O investimento direto na ponte é de US$ 100 milhões, financiado integralmente pela Itaipu Binacional, pelo lado paraguaio.

A construção começou oficialmente em 14 de janeiro de 2022 e integra um pacote maior de investimentos do governo paraguaio, estimado em US$ 1,1 bilhão, no trecho de aproximadamente 580 quilômetros entre Carmelo Peralta e Pozo Hondo.

Dentro desse conjunto, US$ 440 milhões foram destinados ao trecho Carmelo Peralta-Loma Plata, já concluído. Outros US$ 100 milhões foram aplicados na ponte internacional. A pavimentação da Picada 500, na PY-15, recebe US$ 354 milhões, enquanto mais US$ 200 milhões serão investidos no segmento entre Centinela e Mariscal.

A execução da ponte está sob responsabilidade do Consórcio Pybra, formado pelas empresas Tecnoedil, Paulitec e Cidades Ltda., sob coordenação do engenheiro civil paraguaio Renê Gómez.

Corredor vai ligar MS ao Pacífico

A Rota Bioceânica terá início em Porto Murtinho, no sudoeste de Mato Grosso do Sul, seguirá pelo Paraguai e pela Argentina até chegar aos portos do Chile, no Oceano Pacífico.

A nova conexão é vista como estratégica para o escoamento da produção brasileira, especialmente de carnes, açúcar, farelo de soja e couros. Segundo estimativas da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), a rota poderá reduzir em até 17 dias o tempo de transporte para a Ásia, em comparação com o trajeto tradicional pelo Porto de Santos.

O projeto começou a ser debatido em 2014 e ganhou execução a partir de 2017. Desde então, passou a ser tratado como uma das principais apostas logísticas para ampliar a integração comercial entre Mato Grosso do Sul, países sul-americanos e mercados asiáticos.

Especialistas estimam que o corredor tenha potencial para movimentar cerca de US$ 1,5 bilhão por ano em exportações. Para Mato Grosso do Sul, a ponte e os acessos representam não apenas uma obra de infraestrutura, mas uma mudança estrutural na posição do Estado dentro das rotas internacionais de comércio.

Com o fechamento do vão central previsto para esta semana, a ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta entra na reta final como símbolo concreto da integração entre os dois países e como marco decisivo para transformar a Rota Bioceânica em realidade operacional.

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