
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja neste domingo (20) para Nova York, onde participará da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU). O presidente brasileiro fará na terça-feira (22) o discurso de abertura do Debate Geral, principal evento da Semana de Alto Nível da organização.
A 81ª sessão foi aberta em 8 de setembro, sob a presidência de Khalilur Rahman, de Bangladesh. O Debate Geral será realizado entre 22 e 26 de setembro, com encerramento na segunda-feira (28). O tema escolhido para este ano é “Restaurar a confiança, gerenciar a transformação: uma Organização das Nações Unidas que atenda a todas as pessoas”.
Desde 1955, o Brasil tradicionalmente faz o primeiro pronunciamento do Debate Geral, seguido pelo país anfitrião, os Estados Unidos. Neste ano, portanto, Lula abrirá a sequência de discursos na terça-feira e será seguido pelo presidente norte-americano Donald Trump.
Multilateralismo deve estar no centro do discurso
De acordo com a agenda divulgada pelo governo brasileiro, Lula deverá defender o multilateralismo, a negociação como instrumento para resolução de conflitos e o respeito ao direito internacional humanitário.
A reforma das Nações Unidas, especialmente do Conselho de Segurança, também está entre os assuntos previstos. O Brasil defende há anos mudanças na composição do órgão e maior participação de países em desenvolvimento nas decisões internacionais.
O pronunciamento ocorrerá em um momento de conflitos e disputas diplomáticas em diferentes regiões. A própria presidência da 81ª Assembleia estabeleceu como prioridade a reconstrução da confiança nas instituições multilaterais e a busca de soluções negociadas.
Encontro com António Guterres
A previsão é que Lula chegue a Nova York na noite de domingo (20). A segunda-feira (21) será reservada principalmente para reuniões bilaterais, que ainda estavam sendo definidas.
Na terça-feira, depois da participação no Debate Geral, o presidente terá encontro com o secretário-geral da ONU, António Guterres, e deverá retornar ao Brasil no mesmo dia.
Esta será a última Semana de Alto Nível da Assembleia Geral com Guterres à frente da organização durante seu atual mandato. Seu segundo mandato como secretário-geral termina em 31 de dezembro de 2026, e a escolha do sucessor está entre os processos de maior relevância da atual sessão.
A viagem representará a 11ª participação de Lula na Assembleia Geral como presidente da República. Durante seus três mandatos, ele deixou de comparecer ao encontro apenas em 2010, conforme a agenda divulgada pelo governo.
Mauro Vieira permanece em Nova York
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, permanecerá nos Estados Unidos durante a Semana de Alto Nível e terá uma programação mais extensa.
Estão previstas reuniões ministeriais de grupos e fóruns como BRICS, G77, G4, IBAS, L69, Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e Consenso de Brasília.
No dia 23 de setembro, Mauro Vieira presidirá reunião da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, iniciativa lançada durante a presidência brasileira do G20. No dia seguinte, comandará encontro ministerial da Zona de Paz e Cooperação do Atlântico Sul (Zopacas).
O ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, Wellington Dias, também estará em Nova York entre 21 e 23 de setembro, com compromissos relacionados a segurança alimentar, proteção social, financiamento para o desenvolvimento e cooperação internacional.
A comitiva brasileira terá ainda integrantes de outras áreas do governo para participar de eventos paralelos e reuniões temáticas.
Assembleia reúne 193 países
Criada em 1945, a ONU possui atualmente 193 Estados-membros, que participam da Assembleia Geral. A organização conta ainda com Palestina e Santa Sé como Estados observadores.
A Semana de Alto Nível reúne chefes de Estado e de governo, ministros e representantes diplomáticos para discutir conflitos, desenvolvimento, mudanças climáticas, segurança, direitos humanos e outros temas internacionais.
Além dos pronunciamentos dos líderes, a programação de 2026 prevê encontros sobre ação climática, transição justa, prevenção e resposta a pandemias, direito ao desenvolvimento, elevação do nível do mar e eliminação de armas nucleares.











