
As exportações de produtos de Mato Grosso do Sul registradas pela unidade aduaneira de Corumbá apresentaram resultados opostos nos primeiros nove meses de 2026. Apesar do aumento de 15,9% na quantidade de mercadorias enviadas ao exterior, o faturamento caiu 38,5% em relação ao mesmo período do ano passado, principalmente pela redução da receita obtida com a comercialização de minério de ferro.
De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), disponíveis na plataforma Comex Stat, o volume exportado entre janeiro e setembro passou de 7,34 milhões de toneladas, em 2025, para 8,51 milhões de toneladas neste ano.
No mesmo intervalo, a receita diminuiu de US$ 421,35 milhões para US$ 259,26 milhões, uma diferença de aproximadamente US$ 162,09 milhões.
Os números abrangem as operações registradas pela Alfândega da Receita Federal em Corumbá, responsável pelo controle aduaneiro de diferentes pontos de saída de mercadorias, incluindo a hidrovia do Rio Paraguai e a passagem rodoviária na fronteira com a Bolívia.
Minério de ferro concentra maior perda de receita
O minério de ferro, principal produto exportado pela unidade aduaneira, foi o maior responsável pela redução do faturamento.
Embora o volume embarcado tenha aumentado de 6,97 milhões para 8,11 milhões de toneladas, crescimento aproximado de 16,4%, a receita recuou 44,3%, passando de US$ 320 milhões para US$ 178,27 milhões.
Isso representa uma perda de US$ 141,73 milhões em relação aos nove primeiros meses de 2025, equivalente a aproximadamente 87% da redução total registrada nas exportações pela unidade.
A diferença entre o crescimento das quantidades embarcadas e a queda no faturamento indica redução no valor médio obtido por tonelada exportada.
O minério de manganês também apresentou desempenho negativo em receita, apesar do aumento do volume comercializado. O valor exportado caiu 76,8%, de US$ 27,14 milhões para US$ 6,28 milhões.
Em sentido contrário, o ferro-gusa registrou crescimento de 7,7% no faturamento, alcançando US$ 41,37 milhões, mesmo com uma pequena diminuição na quantidade embarcada.
Argentina ultrapassa Uruguai entre principais compradores
A composição dos mercados compradores também mudou em 2026. A Argentina passou a liderar o ranking de destinos das exportações registradas em Corumbá, com movimentação de US$ 102,51 milhões entre janeiro e setembro.
O país ultrapassou o Uruguai, que ocupava a primeira posição no mesmo período de 2025.
As vendas destinadas ao mercado uruguaio sofreram uma redução expressiva de 66,4%, passando de US$ 216,02 milhões para US$ 72,67 milhões.
A Bolívia aparece na terceira colocação, com US$ 33,15 milhões, seguida pela Áustria, com US$ 27,40 milhões, e pelos Estados Unidos, com US$ 21,01 milhões.
O mercado norte-americano ganhou relevância especialmente nas compras de ferro-gusa, responsáveis por US$ 19,85 milhões do total exportado para aquele país.
Cinco países concentram quase todas as exportações
Somados, os cinco principais destinos movimentaram aproximadamente US$ 256,74 milhões, o equivalente a 99% de toda a receita registrada pela unidade aduaneira de Corumbá nos nove primeiros meses deste ano.
A concentração evidencia a importância desses mercados para o comércio exterior da região e a influência das oscilações de preços e demanda sobre o faturamento.
A hidrovia do Rio Paraguai permanece como uma das principais rotas de escoamento da produção mineral de Corumbá, permitindo o transporte de grandes volumes de minério em direção aos mercados internacionais.
Os resultados de 2026 mostram que, embora a região tenha ampliado a quantidade de mercadorias exportadas, esse crescimento não foi suficiente para compensar a redução do valor recebido pelos principais produtos minerais.











