Mesmo com pedido do Ministério Público pela prisão preventiva, Justiça concede liberdade provisória a Reinaldo Custódio, de 62 anos. Declaração do condutor após o acidente gerou revolta
Por : Jornal Ms Agora Fonte: Jornal alerta Dourados

Dourados (MS) — A liberdade provisória concedida a Reinaldo Custódio, 62 anos, responsável por atropelar e matar a trabalhadora Cristina Aparecida Pereira, 40, gerou forte repercussão e indignação pública. O acidente aconteceu na noite de ontem (27), na rodovia BR-163, em Dourados, a 251 quilômetros de Campo Grande. A decisão partiu do juiz Ricardo da Mata Reis, da Vara do Juiz das Garantias, Tribunal do Júri e Execução Penal de Dourados, que não determinou pagamento de fiança e considerou a prisão preventiva inviável no atual estágio da investigação.
Cristina, que seguia de moto, foi violentamente atingida por uma caminhonete Fiat Toro branca dirigida por Reinaldo. O impacto arremessou a vítima por vários metros, resultando em sua morte imediata. O condutor se recusou a realizar o teste do bafômetro e, segundo testemunhas, reagiu com frieza à tragédia, afirmando: “Quero que se f… Antes ela do que eu.”
Decisão judicial
Mesmo diante da gravidade do caso, o magistrado entendeu que o momento atual não permite concluir se a conduta foi dolosa ou culposa, ou seja, se Reinaldo assumiu o risco de matar ou se agiu por imprudência. “O estado embrionário da investigação impede, por ora, juízo peremptório sobre a natureza dolosa ou culposa da conduta”, escreveu o juiz. Ainda segundo a decisão, há possibilidade de “culpa consciente”, quando o agente prevê o risco, mas acredita que ele não se concretizará.
Apesar do relato de embriaguez, da ausência de marcas de frenagem no local do acidente, e do comportamento insensível e afrontoso do autor, a prisão preventiva foi negada. O juiz justificou que Reinaldo é réu primário, sem antecedentes criminais, e que possui residência fixa e vínculos com a comarca, o que, segundo a avaliação judicial, reduz o risco à instrução do processo ou à ordem pública.
Medidas cautelares
Como alternativa à prisão, foram impostas as seguintes medidas cautelares:
Suspensão imediata da CNH (Carteira Nacional de Habilitação)
Proibição de deixar a comarca de Dourados
Obrigatoriedade de comparecer a todos os atos do processo
Proibição de dirigir qualquer veículo até o encerramento do inquérito
Repercussão
A decisão de liberar o acusado repercutiu nas redes sociais e entre familiares da vítima, que pedem justiça. “Ela era uma mulher batalhadora, morreu indo pra casa, e o homem que a matou sai como se nada tivesse acontecido”, disse uma amiga de Cristina, emocionada.
Organizações e coletivos locais prometem protestos nas próximas semanas exigindo rigor na apuração do caso e responsabilização efetiva do autor.
Cristina Aparecida Pereira era mãe, trabalhadora e conhecida pela comunidade como uma mulher alegre e dedicada. Sua morte violenta reacendeu o debate sobre impunidade em crimes de trânsito e a conduta de motoristas sob possível efeito de álcool.
A Polícia Civil segue com as investigações e aguarda laudos periciais para definir a responsabilidade penal de Reinaldo Custódio.












