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Em ano de tarifaço, MS teve recorde nas exportações de carne bovina

Foto: Gerson Oliveira

Em um ano marcado por tarifaço, disputas comerciais e maior protecionismo internacional, Mato Grosso do Sul registrou em 2025 o maior valor da história em exportações de carne bovina.

Conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic), no ano passado, o Estado alcançou US$ 1,907 bilhão em vendas, alta de 56% ante US$ 1,223 bilhão no ano anterior.

Foram embarcadas 346.738 toneladas da proteína no ano, enquanto de janeiro a dezembro de 2024 foram 256.992 toneladas – registrando alta de 35%.

O desempenho recorde do setor ocorreu mesmo diante de restrições impostas por mercados estratégicos e foi decisivo para que o Estado também encerrasse o ano com o maior volume de exportações já registrado, somando US$ 10,7 bilhões em vendas externas.

Em uma década, a expansão é ainda mais expressiva. Em 2016, o faturamento com as vendas externas da proteína foi de US$ 512,3 milhões, com 145.402 toneladas embarcadas.

O levantamento aponta ainda que o desempenho da carne bovina foi um dos pilares para o crescimento de 7,51% no valor total exportado pelo Estado em relação a 2024.

Para o titular da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), Jaime Verruck, o resultado alcançado no ano passado é ainda mais relevante por ter ocorrido em um cenário internacional adverso.

“Em 2025, tivemos discussões e restrições comerciais importantes impostas pelos Estados Unidos, nosso segundo principal mercado para a carne bovina, além de impactos sobre citricultura, ferroligas, café e laranja. Isso trouxe reflexos relevantes para Mato Grosso do Sul, mas conseguimos reagir e superar esse cenário”, afirmou.

Segundo Verruck, a principal boa notícia foi a capacidade de adaptação da economia estadual diante das mudanças no comércio global.

“Apesar dessas restrições, Mato Grosso do Sul bateu recorde de exportações. As vendas externas totalizaram US$ 10,7 bilhões em 2025. O principal destino das exportações segue sendo a China, com 48,57% de participação, seguida pelos Estados Unidos. Conseguimos realocar produtos para outros mercados e manter o fluxo normal de produção, inclusive com ajustes na pauta”, explicou.

Depois de taxar as importações do mundo todo com uma tarifa mínima de 10% em abril de 2025, o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou, em agosto, uma sobretaxa de 40% sobre boa parte dos produtos brasileiros, incluindo a carne bovina.

A medida só foi anulada após uma conversa telefônica entre Trump e o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, em outubro.

A pauta da exportação sul-mato-grossense segue concentrada em três grandes cadeias produtivas que sustentam o desempenho do comércio exterior do Estado. No ano passado, a celulose voltou a liderar as exportações, com participação de 28,98% do total.

No ano anterior, a liderança havia sido da soja, que agora aparece na segunda posição, com cerca de 22% das vendas externas. A carne bovina ocupa o terceiro lugar, respondendo a 17% do valor exportado em Mato Grosso do Sul.

“Essas três cadeias são hoje a base das exportações de Mato Grosso do Sul e têm enorme relevância para a geração de renda, empregos e divisas”, ressaltou Verruck.

No caso da celulose, o secretário destaca que a retomada da liderança na pauta exportadora está diretamente relacionada aos elevados investimentos industriais em curso no Estado, que ampliaram a capacidade produtiva e reforçaram a competitividade do setor no mercado internacional.

Do lado das importações, o movimento foi inverso ao das exportações. O total acumulado em 2025 foi de US$ 2,8 bilhões, o que representa retração de 3,4% em relação ao ano anterior.

O principal produto importado foi o gás natural, item estratégico para a economia sul-mato-grossense, especialmente para a indústria e para a geração de energia. “Houve uma contração no volume importado de gás natural, o que inclusive impactou nas nossas finanças estaduais”, observou o secretário.

Na sequência, destacam-se as importações de máquinas destinadas à indústria de papel e celulose e cobre, reflexo da presença de uma indústria consolidada de fios de cobre no Estado e do ciclo de investimentos ligados ao setor florestal e industrial.

O desempenho positivo das exportações em 2025 também foi sustentado pela logística de escoamento da produção.

O Porto de Santos se manteve como o principal canal de saída das mercadorias sul-mato-grossenses, respondendo a cerca de 38% do total exportado, com forte utilização do transporte ferroviário por meio da Malha Norte.

Verruck também chama atenção para o desempenho do setor mineral. “Com a manutenção do calado do rio ao longo de 2025, foi possível ampliar a produção mineral. O Estado bateu recorde de exportação de minério de ferro, com volume superior a 8 milhões de toneladas, reforçando a importância desse segmento para a economia sul-mato-grossense”, destacou.

A análise por município mostra concentração relevante das exportações em polos industriais estratégicos. Três Lagoas manteve a liderança como maior exportador do Estado, concentrando 19,68% do total, impulsionada pela indústria de celulose. Ribas do Rio Pardo aparece em segundo lugar, com cerca de 11%, ultrapassando Dourados e Campo Grande, também em função da atividade florestal e industrial.

“É importante lembrar que, diferentemente da celulose, a soja tem origem bastante diluída, estando presente em mais de 60% dos municípios do Estado, o que explica essa diferença de concentração regional”, concluiu Verruck.

Correio do Estado / Súzan Benites

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