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MPMS quer levar Bernal a júri popular por morte de fiscal em Campo Grande

Nas alegações finais, os promotores da 19ª Promotoria de Justiça, afirmam que Bernal deve responder por homicídio qualificado (Foto: Divulgação)

O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) pediu que o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, seja levado a Tribunal do Júri pela morte do fiscal tributário aposentado Roberto Mazzini. O crime ocorreu no fim de março de 2026, em um imóvel residencial localizado na Rua Antônio Maria Coelho, na Capital.

Nas alegações finais, os promotores José Arturo Iunes Bobadilla Garcia e Lívia Carla Guadanhim Bariani, da 19ª Promotoria de Justiça, afirmam que Bernal deve responder por homicídio qualificado. Para a acusação, o crime teria sido cometido por motivo torpe, com meio cruel, mediante recurso que dificultou a defesa da vítima e com causa de aumento de pena em razão de Roberto Mazzini ter mais de 60 anos.

Segundo o MPMS, a motivação estaria ligada à perda do imóvel onde Bernal morava. A casa havia pertencido ao ex-prefeito, mas foi adquirida por Roberto Mazzini após procedimento de venda promovido pela Caixa Econômica Federal (CEF). A promotoria sustenta que Bernal não aceitava a arrematação do bem e acreditava ainda ter direito sobre a propriedade.

No dia do crime, Mazzini foi ao imóvel acompanhado de um chaveiro contratado para fazer a abertura do portão. O sistema de monitoramento da residência detectou a movimentação e enviou alerta ao celular do ex-prefeito. Conforme a acusação, Bernal então pegou uma arma de fogo e foi imediatamente até o endereço.

O Ministério Público afirma que o ex-prefeito entrou rapidamente no corredor da residência, surpreendendo as pessoas que estavam no local, e fez os disparos contra Mazzini, que caiu no chão. O chaveiro relatou que Bernal teria chegado com a arma em punho, gritando e questionando o que os dois faziam ali, sem dar chance de diálogo ou reação.

Ainda de acordo com o relato usado pela acusação, o prestador de serviço levantou as mãos e disse que estava apenas trabalhando. Ele afirmou ter recebido ordem para se deitar de bruços, mas conseguiu fugir pelo portão quando o atirador voltou a atenção para a vítima caída. Roberto Mazzini chegou a receber atendimento, mas morreu ainda no pátio da residência.

Após o crime, Bernal se apresentou em uma delegacia da Polícia Civil. Ao delegado plantonista, disse que havia atirado por acreditar se tratar de invasores e alegou ter agido em legítima defesa. Em depoimento judicial, o ex-prefeito confirmou os disparos, mas afirmou que imaginou que os homens estivessem armados e que reagiu a um movimento considerado perigoso.

A versão foi contestada pelo Ministério Público. Para os promotores, depoimentos de testemunhas, imagens de câmeras e laudos periciais não sustentam a tese de legítima defesa. A acusação aponta que não havia sinais de briga nem lesões de defesa no corpo da vítima e que um dos disparos teria sido feito a curta distância, estimada entre 10 e 50 centímetros.

Além do homicídio qualificado, o MPMS também aponta a prática de violação de domicílio e porte ilegal de arma de fogo, crimes que podem ampliar a pena em caso de condenação. Se as qualificadoras forem aceitas pela Justiça, o caso poderá ser tratado como crime hediondo, com regras mais rígidas para progressão de regime e sem possibilidade de fiança.

Bernal está preso desde o dia do crime e teve sucessivos pedidos de liberdade negados. Em 3 de junho, a Justiça rejeitou o terceiro pedido da defesa. O juiz entendeu que permanecem os fundamentos da prisão, diante da materialidade do fato e dos indícios de autoria apontados no processo.

Ao longo da instrução, mais de 10 testemunhas foram ouvidas em audiências de acusação e defesa. Familiares de Roberto Mazzini, incluindo a esposa e os filhos, também foram autorizados a atuar como assistentes de acusação no processo.

A defesa de Alcides Bernal ainda deverá se manifestar sobre as alegações finais apresentadas pelo Ministério Público. Depois disso, caberá ao juiz Carlos Alberto Garcete, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, decidir se o ex-prefeito será pronunciado e levado a julgamento popular.

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