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Após 6 anos de espera e R$ 9 milhões investidos, obra do Hospital São Mateus tem data de entrega

Fachada hospital / Foto: Dilermano Alves

O que se arrastou por quase seis anos como um canteiro de obras sem fim, consumindo milhões em recursos públicos, finalmente tem data para ser entregue à população de Caarapó. A primeira grande reforma do Hospital Beneficente São Mateus, iniciada em junho de 2020, será concluída no final de fevereiro, um marco que coincide com o 53º aniversário da instituição, fundada em 28 de janeiro de 1973. A entrega se deve, sobretudo, a uma mudança de prioridade na gestão municipal.

Sob o comando da prefeita Maria Lurdes Portugal, que assumiu em janeiro de 2025, o projeto foi tratado como prioridade máxima. Em pouco mais de um ano de mandato, a nova administração conseguiu destravar o que a gestão anterior, do ex-prefeito André Nezzi, não foi capaz de concluir em quase todo o seu período governamental.

O rastro do dinheiro: R$ 7,16 milhões sem conclusão

Desde o início da obra, em meados de 2020, o projeto de ampliação de 950 metros quadrados do hospital foi alvo de sucessivos anúncios de investimentos. Um levantamento detalhado realizado pela equipe do Alô Mídia, com base em publicações oficiais e notícias da época, aponta que o montante destinado à estrutura física do hospital durante a gestão Nezzi ultrapassou a marca de R$ 7 milhões.

            . Junho de 2020 – 1ª. Fase – R$ 2.060.166,35

            . Fevereiro de 2024 – 2ª. Etapa – R$ 1.305.354,00

            . Maio de 2024 – 3ª. Etapa – R$ 3.800.000,00

Apesar do volume expressivo de recursos, a obra não avançou como o esperado, gerando frustração e incerteza na população. 

Gestão, prioridade e resultados

O contraste entre as duas administrações se torna evidente nos resultados. Enquanto a gestão anterior conviveu com a obra em ritmo lento por anos, a atual gestão, ao assumir, não só garantiu a continuidade dos repasses para o custeio do hospital, como focou na resolução dos entraves da reforma. 

Em 2025, a prefeitura realizou um repasse recorde de R$ 10,3 milhões ao São Mateus, um aumento de 15,3% em relação a 2024. Deste total, R$ 8,2 milhões foram para o custeio e R$ 1,86 milhão para a obra, demonstrando um planejamento financeiro robusto para manter o hospital funcionando enquanto a reforma era acelerada.

Para não comprometer o atendimento nesta reta final, um novo contrato de R$ 3,276 milhões foi firmado em janeiro deste ano, garantindo a operação do hospital por mais seis meses. 

A medida demonstra o cuidado da atual gestão em assegurar a assistência à população enquanto prepara a entrega de um benefício aguardado por quase uma década.

O debate político e a realidade dos fatos

Recentemente, o ex-prefeito André Nezzi, em cujo mandato a obra se arrastou, veio a público criticar a atual gestão, apontando problemas pontuais. 

No entanto, as críticas parecem ignorar o contexto geral. Problemas como a ausência temporária de uma especialidade médica ou a demora em exames, por exemplo, estão diretamente ligados à falta de uma infraestrutura hospitalar adequada – a mesma que sua gestão teve quase seis anos para entregar e não o fez.

A entrega do novo pronto-socorro em fevereiro não representa apenas o fim de uma obra. Para a população de Caarapó, significa o fim de uma longa espera e o início de um novo capítulo na saúde do município, um capítulo que só foi possível graças a uma gestão que soube transformar um problema herdado em uma solução concreta.

O Contraponto dos Fatos: Um Olhar sobre o Passado da Saúde em Caarapó

Em meio à expectativa pela conclusão da obra, o debate político em Caarapó se intensifica. O ex-prefeito André Nezzi tem utilizado uma rádio local para criticar a atual gestão, apontando problemas pontuais no atendimento à população. 

No entanto, uma análise jornalística aprofundada, com base em documentos públicos e notícias da época, revela que a gestão do ex-prefeito enfrentou desafios significativos e foi alvo de questionamentos por parte de órgãos de controle e do legislativo municipal.

Enquanto a atenção do ex-prefeito se volta para questões atuais, seu próprio histórico administrativo na área da saúde é marcado por episódios que merecem ser relembrados. Durante seu mandato, a prefeitura de Caarapó foi multada em mais de uma ocasião pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-MS) por irregularidades em processos ligados à saúde.

Em novembro de 2022, por exemplo, o TCE-MS multou o ex-prefeito e seu secretário de finanças por “atraso injustificado na aquisição de medicamentos”, atribuindo o problema à “falta de planejamento adequado” e concluindo que a falha “causou prejuízos para a população na continuidade de tratamento de saúde, configura a má gestão da área”. O ex-prefeito André Nezzi foi multado em R$ 1,1 mil.

Em outro caso, de abril de 2022, o TCE-MS votou pela irregularidade no convênio firmado entre o município de Caarapó e o Hospital São Mateus para pagamento de plantões de médicos e enfermeiros. As irregularidades apontadas foram: ausência de documentos e o aumento de valor sem a devida justificativa. O ex-prefeito André Nezzi foi multado em 30 Uferms.

A mesma corte, em dezembro de 2023, declarou irregular um pregão de mais de R$ 1,2 milhão para a compra de medicamentos. Irregularidades: documentos obrigatórios ausentes, ausência de caracterização do objeto licitado, ausência da descrição da quantidade dos medicamentos e de documento contendo a designação do pregoeiro. Multa de R$ 2,3 mil aplicada ao prefeito André Nezzi.

As críticas não se limitavam aos órgãos de controle

Em março de 2025, o vereador Celso Capovilla foi à tribuna da Câmara Municipal para denunciar o que chamou de “situação grave” no Hospital São Mateus, apontando a falta de estrutura e problemas básicos, como a ausência de um banheiro acessível. Na ocasião, o parlamentar foi enfático ao afirmar que se tratava de “seis anos de uma obra inacabada e uma estrutura que não acompanha a demanda da cidade”, refletindo um problema que se arrastava pela gestão anterior.

Este contexto histórico é fundamental para uma compreensão equilibrada do cenário atual. A entrega do novo pronto-socorro em fevereiro, portanto, não representa apenas o fim de uma obra, mas um passo concreto para superar um longo histórico de desafios estruturais. Para a população de Caarapó, mais do que o debate político, o que se espera são resultados, e a conclusão da reforma do hospital é, sem dúvida, o mais aguardado deles.

Alô Caarapó

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