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Rim tem dia mundial dedicado a ele e é órgão que lidera a fila de transplantes no Brasil

Foto: Reprodção Revista Galileu

Um órgão tão importante que tem até um dia mundial para chamar de seu: o Rim. O dia Mundial do Rim, celebrado em 12 de março, é uma data dedicada à conscientização sobre a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento de doenças renais.

De acordo com a publicação na revista Galileu, atualmente, cerca de 180 mil pessoas dependem de terapias renais substitutivas no território nacional, como a hemodiálise e a diálise peritoneal. Desse total, aproximadamente 92% realizam hemodiálise, procedimento que substitui parcialmente a função dos rins. Para muitos pacientes, no entanto, o transplante representa a principal possibilidade de recuperar qualidade de vida.

Por aqui, no Brasil, a necessidade de transplante renal supera, com folga, a de qualquer outro órgão. Atualmente, um total de 44.759 pessoas aguardam por um rim na fila do Sistema Nacional de Transplantes (SNT), segundo dados do Ministério da Saúde. O número é expressivo, e reflete a combinação entre o envelhecimento da população, o avanço de doenças crônicas e o diagnóstico tardio de problemas renais, fatores que aumentam o risco de falência do órgão.

Doença silenciosa

Um dos principais desafios no enfrentamento das doenças renais é o fato de que elas costumam evoluir de forma silenciosa. Em grande parte dos casos, os pacientes não apresentam sintomas claros nas fases iniciais.

“A indicação para o transplante ocorre quando o paciente chega à fase de falência da doença renal crônica, também conhecida como estágio 5, momento em que os rins filtram menos de 15% da capacidade normal, ou cerca de 15 mililitros por minuto”, explica o médico nefrologista Alexandre Bignelli, que atua como coordenador do Serviço de Transplantes Renais do Hospital Universitário Cajuru, em comunicado enviado à imprensa.

Segundo o especialista, diferentemente de outras doenças, a dor raramente é um sinal de alerta para problemas renais. Assim, o diagnóstico muitas vezes ocorre quando o comprometimento do órgão já é avançado.

Principais causas da falência renal

A doença renal crônica é mais comum entre pessoas idosas. Estima-se que cerca de um terço da população idosa brasileira apresente algum estágio da doença. Entre suas causas mais frequentes estão a hipertensão arterial e o diabetes, condições que, quando não controladas, podem provocar danos progressivos aos rins.

“Pacientes com pressão arterial alta ou descontrole glicêmico precisam de acompanhamento rigoroso dessas condições. Sem o tratamento adequado, a progressão para a falência renal pode ocorrer”, destaca Bignelli.

Outras condições também podem comprometer a função renal, como é o caso das glomerulonefrites (inflamações dos rins), certas doenças genéticas (doença renal policística) e problemas que dificultam a eliminação da urina, entre eles o refluxo urinário, os cálculos renais e as doenças da próstata.

Por fim, é importante destacar o risco do uso indiscriminado de medicamentos. Anti-inflamatórios não esteroides, facilmente encontrados em farmácias, podem causar danos aos rins quando utilizados sem a devida orientação médica.

Como funciona a fila de transplantes

A alta demanda por transplantes renais também está relacionada a uma particularidade do órgão: como o ser humano possui dois rins, é possível que um deles seja doado em vida por uma pessoa saudável, seja para um familiar ou, em algumas situações, para alguém sem parentesco.

Mesmo assim, a distribuição de órgãos segue critérios rigorosos e é organizada por estado pelo Sistema Nacional de Transplantes. “O paciente inscrito na fila de um estado específico não pode concorrer em outro estado. Quando uma família autoriza a doação de órgãos, a seleção considera critérios como tipo sanguíneo, compatibilidade imunológica, sistema HLA e tempo de inscrição na fila”, explica Bignelli.

Crianças, adolescentes e pacientes críticos sem acesso à diálise possuem prioridade. A confirmação final ocorre por meio da chamada prova cruzada, exame que avalia o risco de rejeição do órgão.

“O transplante é amplamente considerado o melhor tratamento em comparação com a diálise. Além de aumentar a sobrevida, permite uma reabilitação significativa do paciente”, afirma o nefrologista do Hospital Universitário Cajuru. Ele ressalta ainda que não é obrigatório estar em diálise para entrar na fila. Pacientes em tratamento conservador, com rins funcionando abaixo de 10% da capacidade, já podem ser inscritos.

Prevenção às doenças renais

Muitas doenças renais podem ser evitadas ou controladas com medidas simples, mas constantes. Entre elas estão manter o peso corporal adequado, praticar atividade física regularmente, reduzir o consumo de sal e açúcar, evitar a automedicação e, principalmente, manter-se hidratado. Outro cuidado importante é realizar exames periódicos, especialmente entre pessoas com fatores de risco. A dosagem de creatinina no sangue é um dos testes mais utilizados para avaliar a função renal.

Além da prevenção, a conscientização sobre a doação de órgãos também é considerada fundamental. No Brasil, a autorização para doação após a morte depende da família do paciente. “Uma simples conversa em casa pode ser determinante para aumentar o número de doações no país e transformar o luto em uma nova chance de vida para quem aguarda na fila”, conclui Bignelli.

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