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Hipertensão é mais letal entre homens de 50 a 59 anos, apesar de ser mais comum em mulheres

Foto: Divulgação

A hipertensão arterial é mais frequente entre mulheres, mas tem provocado mais mortes entre homens de meia-idade. Dados compilados pelo Núcleo de Inteligência e Conteúdo (NIC), do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de São Paulo (SindHosp), mostram que, na faixa etária de 50 a 59 anos, os óbitos por doenças hipertensivas são 25% maiores entre homens do que entre mulheres.

O levantamento, feito com base em dados públicos, aponta que entre 2020 e 2024 foram registrados 7.327 óbitos masculinos por doenças hipertensivas nessa faixa etária, contra 5.863 mortes femininas em hospitais das redes pública e privada. Entre 60 e 69 anos, a diferença também aparece: foram 14.202 óbitos de homens e 11.878 de mulheres.

Apesar da maior letalidade masculina em algumas faixas de idade, as mulheres seguem como maioria entre os pacientes internados por doenças hipertensivas. Segundo o levantamento, elas representam 56,4% do total de internações. O impacto feminino cresce especialmente nas idades mais avançadas, sobretudo acima dos 80 anos, o que reforça a vulnerabilidade da população idosa.

O tema ganhou destaque no última dia 26 de abril, data dedicada ao Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial. A doença atinge cerca de 30% da população adulta brasileira e está entre os principais fatores de risco para infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e doença renal, conforme dados do relatório Vigitel Brasil 2006-2024, do Ministério da Saúde.

Para o cardiologista Vagner Ferreira, a maior mortalidade entre homens está ligada, em parte, à menor procura por atendimento médico e ao abandono precoce do tratamento.

“Os homens costumam procurar menos atendimento médico. Realizam menos exames preventivos e abandonam precocemente o tratamento. Além disso, descobrem a doença hipertensiva muito tardiamente, quando já têm comprometimento do coração, dos rins ou do cérebro. A hipertensão é uma doença silenciosa e pode permanecer por anos sem sintoma. No entanto, quando não tratada adequadamente, pode levar a problemas mais sérios”, explica.

A realidade aparece na rotina de pacientes como o comerciário Cristiano Peixoto, de 51 anos, que usa quatro medicamentos por dia para controlar a pressão alta. Ele afirma ter descoberto a doença há cerca de 15 anos e relata histórico familiar de hipertensão.

“Quase todos da minha família têm hipertensão. Descobri que tinha há cerca de 15 anos. Vou ao médico esporadicamente e tento manter atividade física para controlar”, conta.

O médico Willyan Soares, de 37 anos, convive com hipertensão primária desde os 22 anos. Segundo ele, o histórico familiar e o estresse diário contribuíram para o diagnóstico precoce. Hoje, mantém o controle com uso contínuo de medicamento e prática regular de atividade física.

“É fundamental reforçar a importância na mudança dos hábitos de vida, como alimentação saudável e atividade física regular como principal fonte de tratamento e ajuste pressórico. A obesidade e a rotina acelerada da era contemporânea são os principais motivadores para o surgimento cada vez mais recorrente de hipertensão em pacientes considerados adultos jovens”, afirma.

O presidente do SindHosp, Francisco Balestrin, avalia que os dados reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas não apenas à população idosa, mas também aos adultos de meia-idade.

“Esse quadro exige políticas públicas específicas de prevenção e cuidado, voltadas não apenas para idosos, mas também para adultos de meia-idade, com atenção às desigualdades regionais e às diferenças de gênero”, destaca.

O levantamento também mostra que o tempo médio de internação por doenças hipertensivas é de quatro dias, o que indica a gravidade de muitos casos, frequentemente associados a complicações como insuficiência cardíaca e insuficiência renal.

Especialistas reforçam que medir a pressão regularmente, manter acompanhamento médico, reduzir o consumo de sal, praticar atividade física, controlar o peso, evitar tabagismo e não interromper medicamentos por conta própria são medidas essenciais para prevenir complicações.

Fonte:  Núcleo de Inteligência e Conteúdo (NIC), do Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios de São Paulo (SindHosp)

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