
No dia 12 de abril de 2024, em Campo Grande, Eduardo Riedel (PP) terminou o discurso diante de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com um pedido. “Finalizo pedindo que o senhor possa olhar com carinho para a Unidade de Fertilizantes de Três Lagoas, a UFN3. É essencial para o desenvolvimento e o crescimento não só do Estado, mas de todo o nosso Brasil’, disse o governador na ocasião. Dois anos depois, em junho de 2026, Lula voltou a MS para anunciar a retomada das obras da fábrica, com investimento acima de R$ 5 bilhões e previsão de 8 mil empregos.
A trajetória ajuda a entender a resposta que Riedel deu ao resultado de domingo (25). Ele fez campanha para Flávio Bolsonaro (PL), viu o candidato vencer com 59,60% em MS e perder no país. Mesmo assim, repetiu ao votar que a relação com o Planalto não muda. “Mesma coisa que sempre foi. Eu não misturo posições políticas com relações administrativas. Eu sempre lidei com muito respeito com o presidente Lula. Sempre tive o respeito dele’, afirmou.
Uma relação de convênio e de cerimônia
Em abril de 2026, Riedel foi ao Palácio do Planalto para assinar, ao lado de Lula, o empréstimo de US$ 200 milhões do Banco Mundial para o programa Rodar MS, com garantia da União. O dinheiro vai para a recuperação de rodovias estaduais em cidades como Coxim, Maracaju, Porto Murtinho e Três Lagoas.
O ano eleitoral pôs limites a essa convivência. Na visita de junho a Três Lagoas e a Ponta Porã, Riedel não acompanhou Lula. Mandou o vice, José Carlos Barbosa, o Barbosinha, e cumpriu agenda em Santa Rita do Pardo e Bataguassu. Perguntado sobre a ausência, disse apenas: “Não é momento pra falar disso’.
Na noite de domingo, ao lado dos senadores eleitos Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, Riedel lamentou o resultado sem anunciar ruptura. “Nós vamos trabalhar e continuar nessa trajetória. Entendemos que o Brasil deveria ter outro rumo’, disse.
Contar chamou a disputa de “a eleição mais controversa da história do Brasil’, e Flávio disse que vai pedir a anulação. Riedel não falou em anulação, pediu para esperar as análises e reforçou que governa para eleitores dos dois lados. “Aqui tem gente de todo o espectro político, que vota direita, vota esquerda, vota em candidato A ou B. A gente respeita isso’, afirmou no domingo.
O que está em jogo
A postura de chefe de Estado, que separa a preferência eleitoral da relação entre governos, é o principal ativo do governador nos próximos quatro anos. MS depende de Brasília para obras que já estão na mesa: a Malha Oeste, com leilão previsto para agosto de 2027, a hidrovia do Rio Paraguai, a conclusão da UFN3, prevista para 2029, e o próprio Rodar MS, que tem garantia federal.
Riedel começa o segundo mandato em 6 de janeiro de 2027, um dia depois da posse de Lula. Terá uma bancada no Senado inteiramente de oposição ao presidente e uma Assembleia com o PL na maior bancada.
“Nós vamos trabalhar e continuar nessa trajetória. Entendemos que o Brasil deveria ter outro rumo.’ Sobre a prorrogação da votação, pediu para “esperar as análises’.
“Mesma coisa que sempre foi. Eu não misturo posições políticas com relações administrativas.’
Lula toma posse em 5 de janeiro de 2027. Riedel, em 6 de janeiro. O novo Congresso, em 1º de fevereiro.
Declarações de Riedel: g1 (2024), Campo Grande News (junho de 2026), JD1 Notícias e A Crítica (outubro de 2026). Obras e valores: Petrobras, governo de MS e reportagens do A Crítica. Texto de análise, com avaliação da Redação sobre fatos documentados.
A Crítica











